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Procuradoria peruana acusa ex-presidente e esposa de receberem propina da Odebrecht

O ex-presidente peruano Ollanta Humala e sua esposa Nadine Heredia falam após serem liberados de uma prisão preventiva por conta do caso Odebrecht, em 30 de abril de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. maio 2019 - 19:21
(AFP)

A Procuradoria do Peru apresentou nesta terça-feira (7) uma acusação na justiça contra o ex-presidente do país Ollanta Humala e sua esposa Nadine Heredia por suposta lavagem de dinheiro, como parte do escândalo de corrupção da construtora Odebrecht.

"Estamos apresentando acusação formal contra o ex-presidente Ollanta Humala e sua esposa por suposto delito de lavagem de dinheiro pelo caso de corrupção da empresa Odebrecht", disse o procurador Germán Juárez Atoche, integrante da equipe que investiga este caso.

Esta é a primeira acusação formal contra um ex-presidente peruano pelo escândalo da Odebrecht, empresa que reconheceu que distribuiu dezenas de milhões de dólares no Peru em subornos e doações ilegais para campanhas eleitorais.

Juárez Atoche, que apresentou à Sala Penal Nacional do Poder Judiciário um documento de 1.500 páginas no qual a procuradoria sustenta a acusação, informou que o ex-chefe de Estado e a esposa também são acusados "de liderar uma organização criminosa para lavar dinheiro".

A procuradoria pediu 20 anos de prisão para Humala e 26 para sua esposa por "ocultação de compras de bens imóveis com dinheiro da Odebrecht".

A pena solicitada é maior para Nadine pois inclui duas campanhas eleitorais, 2006 e 2011, enquanto para ele apenas a última. O casal tem três filhos menores de idade.

A Sala Penal deverá resolver se a acusação se ajusta à lei e fixar a data do julgamento de Humala, um militar da reserva de tendência nacionalista que governou o Peru de 2011 a 2016.

Este escândalo atinge outros três ex-presidentes peruanos, entre eles Alan García (1985-1990 e 2006-2011), que cometeu suicídio no mês passado logo após receber ordem de prisão preventiva.

Humala, de 56 anos, e Nadine, de 42, ficaram durante nove meses em prisão preventiva por este caso. Ambos são acusados de receber de forma ilegal três milhões de dólares da Odebrecht para a campanha eleitoral que o levou ao poder em 2011.

A ex-primeira-dama está envolvida no caso porque o ex-diretor da empreiteira no Peru, o brasileiro Jorge Barata, confessou que entregou dinheiro pessoalmente a ela.

- "As rotas do dinheiro" -

Há duas semanas, Barata prestou depoimento em Curitiba para procuradores peruanos, para quem entregou "as rotas do dinheiro" que a construtora distribuiu entre figuras de poder peruanas, desde presidentes até prefeitos, para obter contratos de obras públicas.

Seu testemunho foi possível por conta de um acordo de colaboração entre a Odebrecht e procuradoria do Peru.

Barata havia prestado depoimento também em fevereiro de 2018 diante os procuradores peruanos, para quem confessou que por ordem do presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, havia apoiado financeiramente a campanha de Humala.

"Sim, entregamos recursos para o senhor Humala, para Nadine Heredia mais precisamente, na campanha 2011", declarou Barata para os procuradores, segundo gravações divulgadas pela imprensa.

Barata afirmou que inicialmente coordenou a distribuição do dinheiro no Brasil através do publicitário Valdemir Garreta, mas em seguida entregou o dinheiro pessoalmente no Peru à esposa de Humala.

"Fui chamado por Nadine, que me disse 'não pague mais para o Garreta no Brasil, necessito dos recursos aqui no Peru para mandar as pessoas para a viajar para províncias e ter campanhas regionais'", declarou Barata.

Os depoimentos de Barata atingiram, além de Ollanta Humala e Alan García, os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), para quem ter pago 31 milhões de dólares em subornos, e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), acusado de receber propinas milionárias quando era ministro.

Toledo fugiu a Estados Unidos, onde enfrenta um pedido de extradição, enquanto Kuczynski, de 80 anos, está em prisão domiciliar.

Um ex-funcionário peruano de alto escalão, Miguel Atala, confessou há alguns dias que serviu de laranja para Alan García, recebendo numa conta bancária em Andorra dinheiro da Odebrecht, que depois entregou em espécie diretamente para o ex-presidente no Peru.

García sempre negou ter recebido subornos da Odebrecht. Numa carta divulgada após sua morte, escreveu que "não houve e nem haverá contas, nem subornos, nem riqueza".

O procurador Juárez Atoche disse à imprensa que o partido fundado por Humala e a esposa em 2005 também está incluído na acusação.

"O Partido Nacionalista está incluído na acusação como instrumento para lavar dinheiro e estamos pedindo sua dissolução", disse o procurador.

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