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(2015) Weinstein participa do Festival de Cannes

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O escândalo sexual que envolve o poderoso produtor de Hollywood Harvey Weinstein ganhou contorno internacional nesta quinta-feira, com a abertura de uma investigação policial em Nova York e outra no Reino Unido, ao mesmo tempo que ele foi acusado de um quarto estupro.

Uma porta-voz da polícia de NY confirmou à AFP que investiga um caso de 2004, enquanto as autoridades britânicas fazem o mesmo sobre uma suposta agressão sexual nos anos 1980 em Londres.

De acordo com o jornal nova-iorquino Daily News, a polícia quer investigar as acusações da atriz Lucia Evans, publicadas na terça-feira pela revista The New Yorker.

Evans afirma que, em 2004, quando era uma estudante universitária que sonhava em ingressar na indústria cinematográfica, foi abusada pelo produtor, que lhe forçou a praticar sexo oral nele, em seu escritório no bairro de Tribeca.

"Ele me atacou", disse Evans ao jornalista Ronan Farrow, autor da reportagem da The New Yorker. "Ele me forçou a praticar sexo oral nele", afirmou. "Eu disse, várias vezes, 'Eu não quero fazer isso, pare, não'. Eu tentei ir embora (...), mas não queria chutá-lo, ou lutar com ele".

No mesmo artigo, outras duas mulheres afirmam ter sido violadas pelo produtor.

Na quinta-feira, a atriz Rose McGowan afirmou que também foi violentada por Weinstein.

Segundo o jornal The New York Post, o chefe da divisão especial de vítimas da polícia de Nova Yorl deu ordens para "identificar, localizar e entrevistar todas as potenciais vítimas" de Weinstein.

Em 2015, a polícia de Nova York recebeu uma denúncia de abuso sexual contra Weinstein da modelo italiana de origem filipina Ambra Battilana Gutierrez, então com 22 anos, que lhe acusou de apalpar seu seio.

No dia seguinte, com ajuda da polícia, Battilana voltou a encontrá-lo com um gravador escondido. Nas gravações, o produtor insiste mais de uma vez que ela lhe acompanhe ao seu quarto de hotel e, comentando o episódio da noite anterior, diz: "não voltarei a fazer".

Apesar disso, o procurador de Manhattan, Cy Vance, decidiu então não apresentar acusações contra Weinstein por falta de provas.

McGowan criticou na quinta-feira o dono da Amazon, Jeff Bezos, ao afirmar que havia contado ao diretor da Amazon Studios, Roy Price, que Weinstein a havia violentado, mas foi ignorada.

"Mais de uma vez eu disse. Ele afirmou que não havia sido provado. Eu disse que eu era a prova", escreveu no Twitter.

A Amazon anunciou pouco depois que suspendeu o diretor de sua unidade de filmes e séries após acusações de assédio sexual feitas por uma produtora de televisão, anunciou a empresa.

Um porta-voz afirmou que o diretor da Amazon Studios, Roy Price, recebeu uma "licença efetiva imediatamente".

A medida foi adotada depois que Isa Hackett, produtora de "The Man in the High Castle", uma das principais séries de TV da Amazon, contou à revista The Hollywood Reporter que o executivo fez várias propostas sexuais em julho de 2015.

Hackett, filha do escritor Philip K. Dick, autor da história adaptada na série, afirmou que Price, de 51 anos, fez insinuações lascivas em um táxi a caminho da Comic-Con em San Diego, Califórnia.

Ela disse que deixou claro que não estava interessada - pois é lésbica, com esposa e filhos -, mas que Price insistiu, de acordo com a revista, e inclusive se aproximou dela durante o evento e gritou "sexo anal" em seu ouvido.

Hackett, de 50 anos, disse ao Hollywood Reporter que relatou o comportamento de Price aos executivos do estúdio, que iniciaram uma investigação. Mas ela nunca foi informada sobre os resultados

- "Espero ter uma segunda chance" -

Na quarta-feira, o produtor foi visto pela primeira vez desde a explosão do escândalo, quando saída da casa de uma de suas filhas em Los Angeles.

"Não estou muito bem, mas eu tento. Preciso de ajuda. Todos cometemos erros. Espero ter uma segunda chance", disse à imprensa.

De acordo com o site TMZ, Weinstein viajou ao Arizona buscar tratamento em um centro especializado em viciados em sexo.

Weinstein, de 65 anos, um dos homens mais poderosos da indústria do cinema, é acusado de assédio e abuso sexual por dezenas de mulheres, em sua maioria jovens atrizes e assistentes, desde a publicação de uma reportagem no The New York Times em 5 de outubro.

Cofundador dos estúdios Miramax e The Weinstein Company, ele recebeu mais de 80 prêmios Oscar e 300 indicações por suas produções.

O produtor foi demitido pelo comitê diretor de sua empresa, a The Weinstein Company, e sua mulher, Georgina Chapman, anunciou na terça-feira o pedido de divórcio.

A lista de atrizes que denunciaram assédios e abusos sexuais por parte do poderoso produtor incluem Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Mira Sorvino, Rosana Arquette, Cara Delevingne, Léa Seydoux, Emma de Caunes e Judith Godrèche.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas americana marcou uma reunião de urgência para sábado, na qual vai estudar se expulsa Weinstein da instituição.

Em entrevista à emissora BBC, que irá ao ar na segunda-feira, a americana Jane Fonda comemorou a divulgação das acusações. "Graças a Deus que está se falando sobre isso", afirmou a atriz, vencedora de dois Oscars.

O ex-presidente americano Barack Obama e sua esposa Michelle afirmaram que estão "enojados" e a ex-candidata à presidência Hillary Clinton confessou estar "impactada e horrorizada".

Weinstein foi um grande doador para as campanhas eleitorais de Clinton e de outros democratas durante anos.

- Paralelismos com Cosby -

O caso Weinstein evoca elementos do escândalo Bill Cosby: as supostas vítimas falaram após várias décadas e amos chegaram a acordos secretos para manter várias mulheres em silêncio.

Weinstein, assim como Cosby, insistiu que todos os atos sexuais foram consentidos.

Funcionários da The Weinstein Company insistem que não sabiam que o magnata pagou a várias mulheres para que não revelassem os supostos abuso. O New York Times afirma, citando David Boies, advogado que representou o produtor, que a direção estava a par de três ou quatro acordos.

A atriz Tippi Hedren, que atuou em "Os Pássaros" de Alfred Hitchcock, relatou na quinta-feira que sofreu o mesmo tipo de assédio, há 50 anos, por parte do famoso diretor.

O polêmico diretor de cinema Oliver Stone foi uma das únicas vozes contrárias na questão e disse nesta sexta-feira que Harvey Weinstein foi "condenado por um sistema de justiceiros".

"Eu sou da teoria de que é para esperar até que isso vá a julgamento", disse aos jornalistas na Coreia do Sul, explicando que a indústria cinematográfica e o público condenavam prematuramente Weinstein.

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AFP