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Protesto na Nicarágua contra demissão de médicos por socorrer manifestantes

Manifestantes opositores nas ruas de Manágua, em 4 de agosto de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. agosto 2018 - 01:06
(AFP)

Milhares de nicaraguenses foram às ruas neste sábado (4) em apoio a médicos demitidos pelo governo por ajudar manifestantes em protestos que deixaram até agora 317 mortos e pelo menos dois mil feridos.

"Chega de abusos", "Vivam os médicos", "São médicos, não terroristas" repetiam os manifestantes que acompanharam os doutores com jalecos brancos durante marcha de quatro quilômetros na concorrida estrada para Masaya.

Em outro ponto de Manágua, milhares de pessoas se reuniram em frente à sede da Universidade Centro-americana, convocadas pelo governo para reivindicar "justiça para as vítimas do terrorismo".

Um caminhão liderou esta concentração com lemas que acusavam os ativistas antigovernamentais de "golpistas e terroristas" e os responsabilizavam da maior parte das mortes durante os protestos.

Os manifestantes, por sua vez, que defenderam os médicos em sua maioria estavam com os rostos cobertos com lenços e máscaras por medo de represália.

Cerca de uma centena de médicos foram demitidos de hospitais públicos em várias cidades do país depois de dar atendimento médico a pessoas feridas nos protestos, denunciaram os afetados.

Os protestos antigovernamentais começaram em 18 de abril contra uma reforma previdenciária frustrada e se transformaram em uma demanda de saída do poder do presidente Daniel Ortega e sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo.

"É um horror" o que está acontecendo, disse à AFP a ex-ministra da Saúde (1982-1985) Lea Guido, ao lembrar que manifestantes feridos a tiros morreram porque lhes negaram atendimento hospitalar.

"É criminoso negar o acesso aos serviços de saúde, que os hospitais virem prisão e braço da repressão", destacou.

A dissidente sandinista Mónica Baltodano qualificou de "barbárie" as ações do governo.

Segundo denunciou, Ortega "deu ordens aos diretores de hospitais de não atender a manifestantes e agora está pedindo listas de feridos para persegui-los. Isso é gravíssimo".

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