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Manifestantes durante protesto contra reforma da previdência, em São Paulo, em 15 de março de 2017

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Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas contra as reformas promovidas pelo governo de Michel Temer, em uma mobilização que contou, em São Paulo, com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em São Paulo, o protesto ocupava várias quadras da Avenida Paulista aos gritos de "Fora Temer" e "Não à reforma da previdência", principal motivo das greves e manifestações convocadas em dezenas de cidades.

Lula, ícone da esquerda e que enfrenta processos por corrupção, participou do ato convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo Movimento Sem Terra (MST), por sindicatos de professores e outros setores.

Ovacionado pela multidão, Lula afirmou que o governo atual quer "acabar com as conquistas da classe trabalhadora ao longo dos anos".

"O povo só irá parar quando eleger um governo democraticamente", afirmou o ex-presidente, que lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2018.

No Rio de Janeiro, o protesto acabou em tumulto quando alguns manifestantes enfrentaram a polícia, que jogou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Em Brasília, 500 militantes do MST ocuparam, de madrugada, a sede do Ministério da Fazenda. A polícia informou que os manifestantes "invadiram" o local perto das 05H00 quebrando as janelas. A retirada pacífica ocorreu 10 horas depois, afirmaram as autoridades.

Os protestos se estenderam por mais de 20 capitais de todo o país, de acordo com o G1. Em Belo Horizonte, os organizadores reportaram mais de 100.000 pessoas, 30.000 em Fortaleza, mais de 10.000 em Salvador e em Goiânia.

Sistema previdenciário em "colapso"

Temer sustentou nesta quarta-feira, em um evento público, que seu governo busca resgatar o sistema previdenciário do "colapso para salvar os benefícios dos aposentados de hoje e dos jovens que se aposentarão amanhã".

"Não vai tirar direito de ninguém", assegurou.

Desde que assumiu a presidência, em 2016, Temer impulsiona um programa de ajustes com a pretensão de recuperar a confiança dos mercados e reativar a economia do país, que está em recessão há mais de dois anos.

Depois de aprovar uma emenda constitucional que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos, a próxima reforma na agenda é a do sistema previdenciário, que busca aumentar o tempo de contribuição e elevar a idade mínima requerida para obter a aposentadoria integral.

Outro projeto em tramitação, a reforma trabalhista, determina que as negociações setoriais poderão prevalecer sobre a legislação, entre outras normas de flexibilização com as quais o governo espera estimular as contratações para reverter um nível recorde de desemprego (12,6%, quase 13 milhões de pessoas).

Para o professor de sociologia Sadi Dal Rosso, da Universidade de Brasília, "o único caminho que os movimentos e a população tem neste momento é protestar, uma vez que o governo tem uma amplíssima maioria de votos na Câmara e no Senado" para aprovar as reformas.

É um movimento que "tem um potencial de crescer, à medida que as pessoas vão percebendo a profundidade das mudanças que estão sendo colocadas", considera.

A professora de História Mirna Aragon, de 38 anos, participou de um protesto no Rio de Janeiro e concorda com esta opinião.

"A sociedade precisa gritar porque a classe política esta fazendo o que quer, o que deseja com esse país". Estão "colocando no lixo a luta dos trabalhadores, os direitos trabalhistas", disse à AFP.

Congresso sob pressão

Embora o governo conte com uma base sólida de aliados na Câmara e no Senado, a resistência ao endurecimento da legislação social são sentidas dentro do PMDB, que visa as eleições presidenciais e legislativas de 2018.

Os protestos ocorrem em um clima político de tensão pelas acusações de corrupção relacionadas ao caso da Petrobras.

Na terça-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou a abertura de 83 novos inquéritos contra políticos com foro privilegiado, com base nas delações premiadas feitas por 77 executivos da Odebrecht.

Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados, mas segundo a imprensa há o de Lula e Dilma, cinco ministro de Temer, além dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

AFP