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Protestos dos 'coletes amarelos' na França marcados por violência têm quase 1.400 presos

'Coletes amarelos' gritam 'Macron renuncie', em meio a disparos de gás lacrimogêneo perto da avenida Champs-Élysées de Paris, em 8 de dezembro de 2018

(afp_tickers)

Os protestos dos "coletes amarelos" contra Emmanuel Macron reuniram cerca de 135 mil pessoas na França e levaram a confrontos entre manifestantes e policiais neste sábado (8) em Paris, com carros e barricadas incendiados, e repercutiu em várias cidades do interior, apesar de mais de mil prisões terem sido feitas em toda a França.

Em Paris, pela primeira vez na história da cidade, os veículos blindados da gendarmeria foram usados para apagar barricadas no quarto dia de manifestações dos "coletes amarelos", chamados assim pela veste florescente usada.

Essa onda de manifestações começou em 17 de novembro em oposição a um aumento dos impostos sobre combustíveis. Esta semana, Macron cedeu a algumas das demandas dos manifestantes: anulou o aumento do imposto sobre combustíveis, parte de um plano para combater a mudança climática, e congelou os preços do gás e da energia elétrica nos próximos meses.

Estas medidas não foram suficientes para conter a ira de um movimento aparentemente sem estrutura ou lideranças, que expressa a exaustão da classe média com a perda de poder aquisitivo.

Na noite deste sábado, o primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, tentou reduzir a tensão e prometeu que o presidente Macron "falará e proporá medidas para nutrir o diálogo". "Temos que tecer novamente a unidade nacional", acrescentou em breve declaração transmitida na televisão.

Muitos dos "coletes amarelos" protestam sem violência. Há uma semana, porém, os mais radicalizados - sobretudo, membros de grupos de extrema direita e de extrema esquerda - invadiram as manifestações e enfrentaram a polícia.

Na região da Champs-Élysées, os manifestantes tentaram incendiar a fachada de um centro comercial de luxo, queimaram carros e lançaram projéteis contra as forças de segurança.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, condenou as "cenas de caos" e "danos imensuráveis" na capital francesa. "É inimaginável que vivamos isto", afirmou pelo Twitter.

Denis, de 30 anos, chegou a Paris, procedente de Caen, que fica no noroeste do país. "O objetivo é ir até o Eliseu", disse ele à AFP. "Faço isso pelo futuro do meu filho. Não posso permitir que ele viva em um país em que outros se enriquecem às nossas custas", explicou.

Tim Viteau, desemprego de 29 anos, participou pelo terceiro sábado seguido das manifestações. Ele e sua namorada tiveram que voltar para a casa dos pais porque não conseguiram pagar o aluguel. "Como vamos ter filhos? Eu também quero ter filhos".

Os confrontos se estenderam a outros pontos turísticos ou central da capital francesa, apesar de uma manifestação de segurança imponente, com 8 mil policiais dos quase 90 mil mobilizados em todo o país.

A Torre Eiffel, o museu do Louvre e diversas lojas ficaram fechados - algo impensável para o mês do Natal.

É uma viagem "inesquecível", ironizou a turista nova-iorquina Carmela Forte, que ganhou o passeio de presente de aniversário do marido.

Cerca de 125 mil pessoas se manifestaram em todo o país neste sábado, afirmou ministro do Interior, Christophe Castaner. "Houve 1.385 prisões (...) e este número vai aumentar. Houve 975 prisões preventivas".

Muitos foram detidos por carregarem máscaras, martelos ou paralelepípedos, segundo o secretário de Interior, Laurent Núñez.

Castaner também deu um balanço de 118 feridos entre os manifestantes e 17 nas forças de segurança.

Diversos jornalistas ficaram feridos em Paris neste sábado, entre eles dois fotógrafos do jornal Le Parisien, atingidos por tiros de balas de borracha.

- Confrontos no interior -

Embora a manhã tenha sido calma no resto do país, à tarde começaram enfrentamentos em algumas cidades.

Uma marcha de "coletes amarelos", que reuniu pacificamente milhares de pessoas nas ruas de Bordeaux (sudoeste), terminou em confusão no final do trajeto, quando manifestantes lançaram coquetéis molotov.

A violência também marcou os protestos em Lyon (leste), Saint-Etienne (centro), Marselha e Toulouse (sul).

Muitas rodovias foram bloqueadas em todos o país, e na fronteira franco-espanhola, os "coletes amarelos" montaram uma barricada seletiva que bloqueava a passagem dos caminhões procedentes da Espanha.

Hoje, alguns manifestantes lamentavam a depredação.

"Que destruam os bancos, as multinacionais, não me importa, mas os pequenos comércios... É algo totalmente estúpido", considerava Anthony, de 23. "É absurdo", disse sua namorada, irritada com aqueles que "vêm apenas para destruir" e desacreditam o movimento.

- Lenha na fogueira -

O presidente americano Donald Trump lançou ainda mais lenha na fogueira. "O acordo de Paris não está funcionando muito bem para Paris. Protestos e distúrbios por toda a França", tuitou.

Milhares de pessoas também foram às ruas em muitas cidades francesas neste sábado para apoiar a luta contra a mudança climática. Os protestos se confundiram em vários lugares com a mobilização dos "coletes amarelos".

As manifestações de ambientalistas franceses também coincidiram, como em outros países, com a conferência climática da ONU COP24, aberta esta semana em Katowice (Polônia).

A líder de extrema direita francesa Marine Le Pen pediu "respostas fortes" para o "descontentamento social" expressado pelos "coletes amarelos".

Os protestos não se limitaram à França. Em Bruxelas, 400 pessoas foram presas durante uma manifestação, e o bairro das instituições europeias foi completamente fechado.

Protestos pacíficos aconteceram em várias cidades da Holanda.

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