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PT se aferra a Lula apesar de candidatura barrada

Simpatizante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protesta diante da sede da Polícia Federal em Curitiba, em 31 de agosto de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. setembro 2018 - 19:54
(AFP)

O Partido dos Trabalhadores (PT) se aferra à figura de seu líder histórico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao apresentá-lo neste sábado como figura central de sua propaganda eleitoral, apesar de a Justiça ter barrado a sua candidatura.

Após uma maratona que terminou na madrugada de hoje, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou a candidatura de Lula, que cumpre pena de mais de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Os juízes do TSE tomaram a decisão por maioria, horas antes do início da propaganda eleitoral na TV, que pode ser decisiva para o resultado nas urnas, na eleição mais incerta das últimas décadas.

O TSE proibiu atos de campanha por Lula, ordenou a retirada de seu nome das urnas eletrônicas e deu um prazo ao PT até 12 de setembro para definir um substituto.

Mas com imagens gravadas de entrevista e sua presença em atos, o PT insistiu no vídeo de campanha exibido neste sábado em que "entrará com todos os recursos para garantir o direito de Lula de ser candidato" em 7 de outubro.

- 'O jogo começou agora' -

"Vamos manter um posicionamento político, moral, em torno da liderança de Lula e da vontade de grande parte dos brasileiros", declarou o candidato a vice na chapa, Fernando Haddad, durante entrevista coletiva em Pernambuco, estado natal de Lula.

Hadad deve visitar Lula na manhã da próxima segunda-feira na prisão de Curitiba, além de participar de comícios em Porto Alegre à tarde.

Para o analista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Eduardo Grin, "o jogo começou agora. A partir de agora, o PT, definitivamente, não pode mais adiar a decisão de fazer algo, que é assumir publicamente que Lula não é candidato. Lula continuará pairando nas eleições brasileiras neste período. Ele não deixará as eleições, e isto significa que a estratégia de comunicação do PT foi bem-sucedida", destacou.

Se Haddad for designado candidato à presidência, sua companheira de chapa será Manuela D'Ávila, do PCdoB, segundo um acordo entre os partidos.

Já os demais candidatos veem agora um panorama mais claro e tentarão ganhar espaço.

Uma pesquisa Datafolha atribuiu a Lula na semana passada 39% das intenções de voto, 20 pontos a mais do que o candidato Jair Bolsonaro, em segundo lugar. A pesquisa também indicou que Lula derrotaria qualquer adversário no segundo turno.

Sem o nome de Lula, Bolsonaro iria ao segundo turno com Marina Silva, ambientalista e ex-ministra de Lula. Marina declarou que, "a partir da decisão do TSE, o processo eleitoral poderá seguir seu curso legal (...), mas a Justiça tem que alcançar ainda todos os que cometeram crimes e ainda estão protegidos pelo manto da impunidade dos foros especiais" de que gozam ministros e legisladores".

O candidato Ciro Gomes afirmou que compreende "a dor e o momento difícil do PT", mas que a decisão do TSE "fará com que a campanha seja mais clara para os eleitores". Sua intenção de voto passa de 5% a 10% em um cenário sem Lula.

- Em nome da 'Ficha Limpa' -

Lula, 72 anos, foi declarado culpado em julho de 2017 de se beneficiar de um apartamento no Guarujá (São Paulo) que, segundo a acusação, teria sido pago por uma empreiteira em troca da mediação para a obtenção de contratos com a Petrobras. A condenação foi ratificada e ampliada em janeiro deste ano por um tribunal de apelação.

Lula foi condenado em aplicação à lei da "Ficha Limpa", promulgada durante a sua presidência, que impede um condenado em segunda instância de disputar cargos eleitorais.

Seus defensores afirmavam que um recente pedido da Comissão de Direitos Humanos da ONU para que o Brasil "tome todas as medidas necessárias para assegurar que Lula possa exercer, enquanto está na prisão, seus direitos políticos como candidato na eleição presidencial de 2018", tem caráter vinculante.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou a decisão do TSE, "porque atenta contra a democracia e a vontade do povo brasileiro". Já a ex-presidente argentina Cristina Kirchner afirmou que o impedem de ser candidato "porque sabem que ele venceria com vantagem".

A chancelaria cubana denunciou em comunicado "as manobras para evitar que as forças políticas que empreenderam um processo de transformações sociais no Brasil retornem ao governo".

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