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(Arquivo) O presidente catalão, Carles Puigdemont

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Toda possibilidade de diálogo entre Madri e Barcelona parecia ter morrido nesta quarta-feira (25), com o governo espanhol decidido a intervir na Catalunha e a negativa do presidente separatista catalão de se pronunciar no Senado, antes que seja autorizada a tomada de controle dessa região.

"Não irá nem na quinta-feira (26), nem na sexta-feira (27)" à Câmara Alta, indicou à AFP uma porta-voz do presidente catalão, Carles Puigdemont, explicando que a negativa se deve ao fato do governo espanhol estar decidido de todas as formas a tomar o controle da Catalunha para enfrentar o desafio secessionista.

Puigdemont convocou o seu governo na sede da Generalitat para preparar a sua intervenção ante o Parlamento catalão, que se reunirá na quinta-feira, em princípio às 17h00 locais (12h00 de Brasília).

Às portas da Generalitat se concentraram ao anoitecer centenas de partidários da independência, como um prelúdio das mobilizações que podem ocorrer na quinta e sexta-feira, os dias decisivos.

"Estou aqui para reivindicar que o governo declare a independência. Sairemos às ruas a cada dia", assegurou à AFP Elsa Bernart, professora de 29 anos.

A sessão do Parlamento catalão poderia se prolongar até sexta-feira e nela serão apresentados todos os cenários, incluindo a declaração unilateral de independência com a qual o governo separatista ameaça há semanas.

Carles Puigdemont foi convidado para ir ao Senado expor os seus argumentos contra as medidas anunciadas sob a proteção do Artigo 155 da Constituição espanhola.

Estas incluem o encerramento em bloco de seu governo, a supervisão do Parlamento, a convocação de eleições regionais em um prazo máximo de seis meses e a tomada de controle da Polícia catalã e dos meios públicos locais.

O possível comparecimento do líder independentista acendeu a esperança de uma aproximação. No entanto, nesta quarta, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, assegurou ante a Câmara Baixa que a intervenção na Catalunha é "a única" resposta possível para enfrentar o desafio separatista.

"Me disse que as instituições catalãs pediram diálogo e a minha resposta foi o (Artigo) 155, e é verdade", declarou Rajoy ao deputado independentista Joan Tardà, insistindo que essa resposta - a intervenção da autonomia - "é a única possível".

- Um cenário imprevisível -

A aplicação do Artigo 155 abrirá um cenário inédito, em uma região que representa 19% do PIB espanhol e na qual a economia está se ressentindo pela incerteza política.

Desde o início do mês, cerca de 1.500 empresas decidiram tirar da Catalunha sua sede social, entre elas os dois maiores bancos, CaixaBank e Sabadell, segundo os últimos dados do Colégio de Registradores.

Também pode-se prever que haja resistência às diretrizes do governo central tanto nas ruas, onde os separatistas estão muito mobilizados, como nas instituições, onde seria exposto no dia a dia o boicote de milhares de funcionários públicos.

Ante este panorama caótico, muitos membros do governo catalão sugeriram a Puigdemont a antecipação das eleições regionais na esperança de evitar o que as fileiras separatistas chamam de "liquidação" do autogoverno, indicou à AFP uma fonte do governo.

Essa possibilidade de eleições ia se desfazendo com o passar das horas.

"Ele está consciente das consequências de tudo", tanto da aplicação do Artigo 155, como da convocação de eleições, o que implicaria acatar a ordem constitucional que Puigdemont precisamente quer romper, explicou essa fonte.

Até agora, Puigdemont vem repetindo que se deve respeitar o "mandato" do referendo ilegal de autodeterminação realizado em 1º de outubro.

O seu governo assegura que o "sim" à independência venceu com 90% dos votos e contou com a participação de 43% da população em uma consulta que não foi validada por nenhuma autoridade eleitoral independente.

- Pressão nas ruas -

Os setores mais obstinados do independentismo não param de exigir que coloquem sobre a mesa uma declaração unilateral de independência.

As duas grandes associações separatistas, a Assembleia Nacional Catalã e a Òmnium Cultural, preparam uma grande concentração ante o Parlamento na sexta-feira.

Os meios de comunicação públicos catalães, que fazem transmissões há 34 anos, alertaram sobre a possibilidade de uma intervenção direta do governo central.

"A ameaça de intervenção dos meios públicos catalães supõe um ataque direto à cidadania e vulnerabiliza o seu direito a receber uma informação verdadeira, objetiva, plural e equilibrada", assinalou seu comunicado.

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AFP