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O presidente russo, Vladimir Putin, participa de uma videoconferência, em 9 de agosto de 2014.

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A Rússia anunciou nesta segunda-feira o envio de um "comboio humanitário" para o leste da Ucrânia, apesar de Kiev alertar que só aceitaria a participação de Moscou em uma iniciativa internacional sob controle ucraniano.

A iniciativa russa foi anunciada no momento em que o Exército ucraniano reforça seu domínio ao redor dos redutos rebeldes de Donetsk e Lugansk, cortando as estradas que ligam as duas cidades.

De acordo com um comunicado do Kremlin, o presidente russo, Vladimir Putin, disse ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, que a Rússia enviará "um comboio humanitário à Ucrânia em colaboração com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)".

A potências ocidentais, com os Estados Unidos à frente, tem alertado há vários dias a Rússia para o risco de qualquer ação militar unilateral, mesmo que seja por motivos humanitários.

O porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, fez questão de ressaltar à AFP que o comboio não terá "escolta militar" e faz parte "de um acordo com a parte ucraniana".

Mas a Presidência ucraniana reagiu ao anúncio, garantindo que qualquer ajuda russa só poderá ser fornecida estritamente no âmbito da operação humanitária internacional solicitada pelo presidente Petro Poroshenko, e inicialmente limitada à cidade de Lugansk.

Apoio americano garantido

O presidente americano, Barack Obama, apoiou a iniciativa humanitária e "confirmou a intenção dos Estados Unidos de se envolver ativamente em uma missão internacional", segundo a Presidência ucraniana.

Ainda de acordo com Kiev, José Manuel Barroso prometeu uma ajuda humanitária europeia de 2,5 milhões de euros para a Ucrânia.

Segunda maior capital regional do leste da Ucrânia com 500.000 habitantes antes dos combates, Lugansk enfrenta, segundo as autoridades locais, um "bloqueio" e uma "situação crítica" há nove dias, sem energia elétrica, água corrente ou rede de telefonia. Além disso, as reservas de combustíveis e de alimentos estão acabando rapidamente.

"Nós não estamos esperando qualquer comboio humanitário", alertou o vice-chefe do gabinete presidencial da Ucrânia, Valeriy Chaly, em sua página no Facebook.

"O que está em questão é uma iniciativa do presidente da Ucrânia em favor da ajuda humanitária internacional para a população da cidade de Lugansk com a participação de União Europeia, Estados Unidos, Alemanha e outros parceiros (...) A Rússia pode participar. Mas tudo será de acordo com as regras internacionais, com as leis da Ucrânia, pelas fronteiras que controlamos, sob os auspícios do Comitê Internacional da Cruz Vermelha", frisou Chaly.

A situação vem se deteriorando no leste e 300.000 civis já fugiram para a Rússia e outras regiões da Ucrânia. Moscou havia insistido em um cessar-fogo no domingo, considerando que a medida seria "indispensável" para prestar assistência humanitária às vítimas dos combates.

A ideia de uma missão humanitária da Rússia, no entanto, é rejeitada pelos ocidentais, que acusam Moscou de ajudar a rebelião na Ucrânia, fornecendo armas, e temem uma intervenção sob o pretexto de uma missão de assistência aos civis.

Reconquista 'dolorosa'

Donetsk e Lugansk, principais redutos dos rebeldes pró-Moscou, registram violentos combates e bombardeios há vários dias.

Disparos de artilharia destruíram parte dos prédios de uma penitenciária localizada em Kirovski, subúrbio de Donetsk. Uma pessoa morreu e várias ficaram feridas, segundo o prefeito da cidade. Mais de 100 prisioneiros escaparam e 40 ainda não foram encontrados.

Um correspondente da AFP constatou que a porta central da penitenciária estava aberta e que combatentes rebeldes seguiram para o local para auxiliar na busca dos fugitivos.

O Exército ucraniano "bloqueou a conexão entre as regiões de Donetsk e Lugansk", tomando a cidade de Panteleimonivka.

Segundo o comandante de um batalhão de voluntários integrado às forças ucranianas, a reconquista da capital separatista de Donetsk será "longa e dolorosa".

"Serão necessárias mais algumas semanas de combates (...) É preciso isolar bairro por bairro, criando corredores humanitários", declarou durante uma coletiva de imprensa Andriï Biletski, o comandante do batalhão Azov.

"Tomar uma cidade de um milhão de habitantes é a mais difícil das operações do século XXI", ressaltou.

A Ucrânia combate os insurgentes em um conflito classificado pela Cruz Vermelha como uma guerra civil.

As perdas do Exército ucraniano somam 568 mortos e 2.120 feridos desde o início da operação no leste do país, há quatro meses.

AFP