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Donald Trump e Vladimir Putin durante encontro na sexta-feira (7) à margem do G20

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Vladimir Putin apostou neste sábado em uma melhora das relações russo-americanas depois do primeiro cara a cara com Donald Trump, apesar da suposta ingerência do Kremlin na eleição à Casa Branca continuar causando rebuliço.

"O Trump que se vê na televisão é muito diferente do Trump real. Percebe de forma totalmente adequada seu interlocutor, responde rapidamente às perguntas que lhe são feitas", disse Putin em uma entrevista coletiva ao fim da cúpula do G20 em Hamburgo.

Na véspera, os dois presidentes tiveram um primeiro encontro no qual discutiram os contenciosos bilaterais e expressaram seu desejo de continuar avançando, segundo suas delegações.

"Acredito que estabelecemos relações pessoais e que foram assentadas as bases para a distensão entre Estados Unidos e Rússia", afirmou Putin.

"Tenho todas as razões para acreditar que seremos capazes, ao menos parcialmente, de restabelecer o nível de cooperação que precisamos", prosseguiu.

O presidente russo nunca foi muito simpático ao antecessor de Trump, Barack Obama, e a relação bilateral se deteriorou muito com o desenrolar das crises da Ucrânia e da Síria.

Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro, as esperanças de uma normalização têm sido afetadas pelas suspeitas de uma interferência russa na eleição presidencial que teria beneficiado o candidato republicano.

- Manter as aparências -

Sobre essa delicada questão, Donald Trump "fez muitas perguntas", garantiu Putin.

"Lhe dei explicação. Tive a impressão de que minhas respostas o deixaram satisfeito" e que Trump "concordou", acrescentou o presidente russo, confirmando o declarado um dia antes por seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

A Casa Branca, que havia falado de um Donald Trump na ofensiva em relação ao líder do Kremlin, não demorou a negar a versão russa.

Trump queria "olhá-lo nos olhos" e dizer-lhe: "Nós sabemos o que você fez e é melhor que deixe de fazê-lo", afirmou a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley.

"E acho que o presidente Putin fez exatamente o que pensávamos que iria fazer, negar isso", acrescentou.

Segundo Haley, "a Rússia está tentando manter as aparências. E não podem".

Ignorando a polêmica, Putin preferiu citar como "resultado concreto do trabalho" com Trump um último acordo russo-americano sobre um cessar-fogo na Síria, que deve entrar em vigor neste domingo.

"Me parece que a posição de Estados Unidos [sobre a Síria] se tornou mais pragmática", comemorou.

- Histórico aperto de mãos -

"Há um entendimento [mútuo] de que se unirmos esforços, poderemos fazer muito", ressaltou Putin.

A imprensa russa não hesitou em comparar o aperto de mãos entre os dois líderes em Hamburgo aos dos soldados russos e americanos que se uniram em Torgau, na Alemanha, em 1945 em seu avanço contra os nazistas.

"Reencontro no Elba", disse a manchete do popular Moskovski Komsomolets, em referência a esse rio, que passa por Hamburgo e por Torgau.

"O mundo inteiro esperava este aperto de mãos", exagerou o jornal Komsomolskaya Pravda. "Olhem o polegar de Putin. Ele controla a situação, marca o ritmo", garantiu.

AFP