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Quatro "mercenários" mortos após assassinato de presidente do Haiti

O presidente do Haiti, Jovenel Moise afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. julho 2021 - 11:47
(AFP)

Quatro "mercenários" envolvidos no assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, foram mortos nesta quarta-feira (7), enquanto outros dois foram presos, informou a polícia menos de 24 horas após o crime que agrava a crise política do país.

O chefe da polícia detalhou que uma operação foi iniciada depois do ataque a tiros contra Moise nas primeiras horas da quarta-feira. Também afirmou que "três policiais que haviam sido feitos reféns foram recuperados".

Nenhuma informação sobre a identidade ou as motivações dos criminosos foi revelada. Segundo o primeiro-ministro do Haiti, Claude Joseph, eles eram "estrangeiros que falavam inglês e espanhol".

A imprensa local, citando o juiz encarregado do caso, indicou que Moise foi encontrado alvejado por 12 balas e que seu escritório e quarto foram saqueados.

Segundo Bocchit Edmond, embaixador do Haiti nos Estados Unidos, a equipe de criminosos era integrada por mercenários "profissionais" que se fizeram passar por funcionários da agência antidrogas dos Estados Unidos.

O Conselho de Segurança da ONU, que se reunirá nesta quinta-feira para debater a situação no Haiti, exigiu que os responsáveis pelo assassinato "sejam rapidamente entregues à justiça".

- Estado de sítio -

O ataque contra o presidente em sua residência privada, que também deixou a primeira-dama ferida, chocou o Haiti, um país já duramente atingido pela pobreza e a incerteza.

Martine Moise foi inicialmente tratada em um hospital local e logo transferida de avião para Miami, onde está recebendo cuidados no hospital Jackson Memorial, segundo a imprensa americana.

Durante a noite desta quarta-feira, Claude Joseph informou que a primeira-dama estava fora de perigo e que sua situação era "estável".

O primeiro-ministro declarou o estado de sítio no Haiti após o ataque e anunciou que estava no comando do país, pedindo calma e afirmando que a polícia e o exército iriam garantir a segurança da população. Enquanto isso, cresciam a indignação e a comoção na comunidade internacional.

"Esta morte não ficará impune", declarou Joseph em discurso à nação.

- Incerteza -

O que aconteceu ameaça desestabilizar ainda mais o país, que já enfrenta uma dupla crise: política e de segurança.

Os sequestros em busca de resgate aumentaram nos últimos meses, refletindo ainda mais a crescente influência de gangues armadas neste país caribenho.

O Haiti também enfrenta pobreza crônica e desastres naturais recorrentes.

Joseph estava programado para ser substituído esta semana, após três meses no cargo.

Na segunda-feira, Moise nomeou o médico Ariel Henry como primeiro-ministro - o sétimo a ocupar o cargo em quatro anos. Henry, de 71 anos, fez parte da resposta ao coronavírus e ocupou cargos no governo em 2015 e 2016 como ministro do Interior e, depois, como ministro dos Assuntos Sociais e do Trabalho.

Também foi membro do gabinete do ministro da Saúde de junho de 2006 a setembro de 2008, antes de se tornar chefe de gabinete. Ocupou este cargo entre setembro de 2008 e outubro de 2011.

Moise encarregou Henry de "formar um governo de base ampla" para "resolver o problema flagrante da insegurança" e trabalhar para "a realização de eleições gerais e do referendo".

Henry é próximo da oposição, mas sua nomeação não foi bem recebida pela maioria destes partidos, que continuaram a exigir a renúncia do presidente, um ex-empresário que construiu diversos negócios no norte do país, de onde é natural, irrompendo no cenário político em 2017 com uma mensagem de reconstrução.

- Forte oposição -

Moise enfrentava uma forte oposição por parte de diversos setores que consideravam seu mandato ilegítimo.

Moise sustentava que o mandato duraria até 7 de fevereiro de 2022, mas outros afirmavam que terminou em 7 de fevereiro de 2021.

A discordância decorre de Moise ter sido eleito em uma votação posteriormente anulada por fraude. Um ano depois, ele ganhou as eleições novamente.

Sem um parlamento, a crise do país se agravou em 2020, levando Moise a governar por decreto, alimentando a desconfiança.

O Departamento de Estado americano pediu a realização das eleições legislativas e presidenciais marcadas no Haiti para 26 de setembro de 2021, com um segundo turno agendado para 21 de novembro.

- Reação internacional -

Após o anúncio do assassinato, o governo da República Dominicana, que compartilha a ilha La Española com o Haiti, ordenou o "fechamento imediato" da fronteira.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenou em um comunicado o "ato hediondo" e enviou seus "mais sinceros votos pela recuperação da primeira-dama Moise".

Reino Unido, França, Espanha e muitos países da América Latina também expressaram sua forte condenação ao atentado.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, por sua vez, alertou para o risco de desestabilização e de uma espiral de violência no Haiti.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) declarou seu apoio à democracia no Haiti, condenando veementemente o assassinato, após uma sessão virtual extraordinária de seu Conselho Permanente.

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