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Público do Rock in Rio, no Rio de Janeiro, em 16 de setembro de 2017

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Lady Gaga seria a estrela do Rock in Rio, mas ao cancelar seu show por motivos de saúde, outra loira estonteante assumiu o seu lugar. Pabllo Vittar, uma drag queen de 22 anos, não estava na programação inicial, mas acabou roubando a cena.

Embora seu nome não seja conhecido no exterior, seu show foi até agora o mais comentado do Rock in Rio.

Mais reivindicativo do que nunca desde que começou na sexta-feira, várias bandeiras de causas políticas e sociais foram levantadas nos palcos do festival, que voltará de quinta-feira a domingo.

- Pabllo Vitar desafia preconceitos -

O 'efeito Vittar' não conhece limites. Já advertia o nome de seu disco de estreia "Vai passar mal", lançado no final de 2016 e que, rapidamente, se tornou o segundo mais vendido no Itunes Brasil.

Com pernas vertiginosas, olhos felinos e lábios carnudos, Pabllo Vittar é a maior estrela pop 'drag' do Brasil e apareceria alguns minutos no show da Lady Gaga.

Com o cancelamento do show da diva americana, Vittar foi convidada a cantar de última hora na noite de abertura em um palco alternativo do festival, que ficou pequeno para seus milhares de fãs.

Fergie, a explosiva ex-cantora do Blackeyed Peas, voltou a convidar a artista no sábado para seu show e, as duas, com seus espartilhos, competiram nos movimentos de cabelos e quadris. A brasileira saiu vitoriosa, por aclamação popular.

O fato de a atuação surpresa de Vittar ter ofuscado divas como Alicia Keys e Ivete Sangalo diz muito sobre a programação inicialmente pouco ousada do Rock in Rio, mas, sobretudo, do Brasil e de suas contradições.

Um país homofóbico e líder no ranking de assassinatos de transexuais, mas que, ao mesmo tempo, venera Vittar, com o endosso da rainha do funk, Anitta, que a convidou para participar de seu último videoclipe "Sua cara" e que ficou de fora da 'Cidade do Rock'.

- A causa da Amazônia -

A modelo Gisele Bundchen deu início ao festival pedindo a união dos brasileiros e com uma mensagem em defesa da Amazônia, em meio às polêmicas pelo decreto presidencial para abrir uma área de reserva à mineração privada.

"Sonho com o dia em que viveremos em total harmonia com a mãe terra, com gratidão por tudo que ela nos provém. Sonho com um mundo de paz, de amor, de respeito e de igualdade", disse a modelo antes de chorar de emoção e de Ivete Sangalo começar a cantar 'Imagine' de John Lennon.

No domingo, Alicia Keys chamou ao palco a líder indígena Sônia Guajajara, com um grupo de samba como música de fundo.

"Existe uma guerra conta a Amazônia. Os povos indígenas e o meio ambiente estão sendo brutalmente atacados. O governo quer colocar à venda uma gigantesca área de reserva mineral", disse Guajajara, vestida com trajes tradicionais.

- "Fora Temer" -

O grito que se repete noite após noite em cenários musicais mais alternativos do Rio invadiu os shows do Rock in Rio neste fim de semana.

"Fora Temer" é o 'hit' mais ouvido no Rock in Rio, ironizou um portal digital.

O grito de protesto durou quase um minuto no show da diva Elsa Soarez, de 80 anos, e ao longo das apresentações de homenagem ao samba feitas Martinho da Vila, Alcione e Criolo ou por Evandro Mesquita, vocalista da Blitz.

"Nosso dinheiro está correndo pelo ralo. Acredito nos brasileiros, não nos políticos", disse o cantor Samuel Rosa, do Skank.

- O beijo gay -

A defesa dos direitos da comunidade LGBT voltaram a aparecer com força neste domingo.

Depois de cantar o hino gay do momento, "Flutua", Johnny Hooker deu um longo beijo no cantor paulista transgênero Liniker.

"Baby, eu já cansei de me esconder/ Entre olhares, sussurros com você/ Somos dois homens/ E nada mais/ Eles não vão vencer/ Nada há de ser em vão... Ninguém vai poder/ Querer nos dizer como amar", diz a letra.

No telão com fundo preto atrás dos artistas se lia a frase em vermelho com letras maiúsculas repetida ao longo da canção "Amar sem Temer".

"Eu acho que essa, com certeza, é a edição mais gay do Rock in Rio de todos os tempos (...) Eu acho que é uma geração que sonhou com tempos de liberdade, de tempos de afirmação. A gente está aqui pra dar o nosso grito hoje", disse Hooker, de 30 anos, à Rede Globo.

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AFP