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Policial persegue manifestante em Nairóbi em 10 de agosto

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O Quênia aguardava com grande expectativa, nesta sexta-feira, o anúncio do vencedor da eleição presidencial, cujo resultado provisório aponta uma grande vantagem do atual presidente, Uhuru Kenyatta, ante o rival, Raila Odinga, que reivindica a vitória.

A votação aconteceu na terça-feira em um clima relativamente calmo. Mas a oposição fez diversas acusações de fraudes nas últimas horas.

Alguns confrontos violentos, que deixaram quatro mortos, reavivaram o fantasma das batalhas registradas após a eleição presidencial de 2007, que terminaram com um balanço de 1.100 mortos.

As missões de observação internacionais anunciaram apoio ao trabalho da Comissão Eleitoral (IEBC), pediram paciência aos quenianos e calma aos políticos.

Mas a coalizão de oposição Nasa insistiu nas acusações de fraude, afirmando ter provas, segundo fontes internas da IEBC, de que Raila Odinga teria vencido e com a exigência de que a comissão o declare "presidente devidamente eleito da República do Quênia".

Na resposta escrita ao grupo de Odinga, a comissão observou erros aritméticos nos documentos que supostamente apontam sua vitória e que procedem, segundo o organismo, de uma base de dados Microsoft, quando a IEBC utiliza Oracle.

Odinga, de 72 anos, afirmou que está "decepcionado" com os observadores, em uma entrevista a CNN: "Não queremos ver nenhuma violência no Quênia (...) mas não controlo ninguém. As pessoas querem justiça".

"Qualquer tentativa de pressionar a IEBC, como a que podemos ver neste momento, é ilegal e perigosa, porque poderia jogar lenha na fogueira quando a situação já é tensa", afirmou o jornal Daily Nation, que pede aos candidatos que apresentem eventuais queixas à IEBC ou à justiça.

Os resultados provisórios da comissão apontam 54,26% dos votos para Kenyatta, contra 44,85% para Odinga, após a apuração de 99% das urnas.

O nome do vencedor será anunciado apenas após a compilação e verificação dos resultados das 290 circunscrições do país.

Uma possível vitória de Kenyatta provoca o temor de uma grande frustração entre os partidários da oposição e possíveis distúrbios.

O comportamento de 150.000 membros das forças de segurança será crucial nos próximos dias. A Anistia Internacional e Odinga pediram que as autoridades evitem o uso desproporcional da força.

As acusações aumentaram ainda mais a rivalidade de meio século entre as famílias Kenyatta e Odinga.

A eleição foi considerada o confronto final entre dois homens, cujos pais, Jomo Kenyatta e Jeramogi Odinga, foram aliados na luta pela independência, mas que se tornaram grandes rivais, o que provocou décadas de rancor político.

Odinga está naquela que é seguramente sua última grande batalha política, depois de ter disputado quatro eleições presidenciais, com a rejeição dos resultados tanto em 2007 como em 2013.

AFP