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Poça de sangue na quadra da escola

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Moradores da Faixa de Gaza foram novamente atingidos por um ataque nesta quinta-feira em meio à operação militar israelense contra o Hamas, principalmente quando um morteiro destruiu parte de uma escola da ONU onde palestinos estavam refugiados.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou "inúmeros mortos", incluindo mulheres, crianças e funcionários da Organização, enquanto Washington manifestou "tristeza" e pediu que os civis sejam protegidos.

Os serviços de emergência locais indicaram 15 mortes e um grande número de feridos nessa escola da Agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), situada em Beit Hanoun, no norte do território palestino, onde estavam abrigadas pessoas que tinha fugido de casa em meio aos combates.

O Exército israelense prometeu investigar, explicando que havia reagido a disparos de foguetes feitos por combatentes do Hamas a partir da região de Beit Hanoun.

Em um comunicado, o comissário-geral da UNWRA, Pierre Krähenbühl, acusou Israel de não ter respondido ao pedido pela formação de um corredor humanitário para esvaziar a escola. Um porta-voz militar negou as acusações.

O morteiro caiu em um corredor, onde marcas de sangue davam uma ideia do drama e onde cobertores e roupas espalhados mostram a presença de civis. "Tínhamos aqui 45 membros da nossa família e não conseguimos encontrar muitos deles", disse uma mulher.

Cerca de 110.000 civis deste enclave palestino de 1,8 milhão de habitantes se refugiaram em escolas da UNRWA. De acordo com o Unicef, 116 escolas de Gaza, incluindo 75 da UNWRA, foram atingidas por ataques israelenses desde 8 de julho.

Cisjordânia à beira da explosão

O conflito ameaça se estender para a Cisjordânia ocupada, onde confrontos entre palestinos e forças de segurança israelenses deixaram um morto nesta quinta-feira à noite.

Pelo menos um palestino morreu e cinco ficaram feridos atingidos por tiros disparados por israelenses em Qalandia, posto militar de Israel que controla a entrada em Jerusalém. Os confrontos ocorreram quando mais de 10.000 manifestantes tentavam se reunir na cidade sagrada para a Noite do Destino (Lailat al-Qadr), um dos eventos do mês do Ramadã, de acordo com fontes médicas palestinas.

Vinte palestinos foram detidos em Jerusalém Oriental depois de confrontos na Cidade Velha, segundo a polícia.

Em Gaza, operações militares israelenses foram realizadas no território durante todo o dia.

Pelo menos sete palestinos morreram durante a manhã em Kuza (sul), perto da fronteira, e outros sete, principalmente crianças, foram mortos em um ataque aéreo entre Rafah e Khan Yunis, segundo os serviços de socorro locais.

De acordo com as equipes de emergência, o registro da operação "Barreira Protetora", iniciada em 8 de julho na Faixa de Gaza, é de cerca de 800 mortos palestinos, a maioria civis. Até o momento, 181 crianças morreram e 1.200 ficaram feridas, de acordo com o Unicef.

Do lado israelense, 32 militares e dois civis morreram, além de um trabalhador agrícola tailandês.

O grande número de perdas civis suscita cada vez mais críticas a Israel. O Conselho de Direitos da ONU iniciou uma investigação sobre possíveis "crimes de guerra" cometidos pelo Exército, denunciando também os ataques cegos do Hamas contra Israel.

Essa iniciativa gerou críticas de Netanyahu. Ele denunciou "uma paródia de justiça" e acusou novamente o Hamas de usar a população de Gaza como escudo.

Depois de ter se reunido com o primeiro-ministro israelense, o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, disse que "a opinião pública ocidental está cada vez mais preocupada e menos compreensiva em relação a Israel".

Israel decidido a ir até o fim

Israel parece determinado a concluir sua operação para destruir o arsenal do Hamas e da Jihad Islâmica, principalmente os foguetes e túneis utilizados para atacar o Estado hebreu.

O ministro do Interior Gideon Saar deixou claro que nenhum acordo vai comprometer esse objetivo. Yuval Steinitz, encarregado dos serviços de inteligência, chegou a mencionar "a opção da tomada do controle da Faixa de Gaza", governada pelo Hamas desde 2007.

No Irã, o presidente do Parlamento, Ali Larijani, saudou o fato de seu país ter fornecido aos combatentes palestinos a tecnologia que os permite garantir "por si próprios suas necessidades em armas".

Antes de estudar qualquer cessar-fogo, o movimento islamita exige uma retirada do bloqueio imposto desde 2006.

Apesar do fracasso nas negociações, a esperança de um cessar-fogo mediado pelo secretário de Estado americano, John Kerry, ainda está viva, afirmou o presidente palestino, Mahmud Abbas, depois de ter se reunido com o rei Abdullah da Jordânia. Ele pediu apoio à proposta egípcia de cessar-fogo, rejeitada pelo Hamas na semana passada.

Kerry tentou convencer Catar e Turquia, aliados do Hamas, a pressionar o movimento radical para que aceite a oferta egípcia, mas "as divergências persistem".

No aeroporto Ben Gurion de Tel Aviv, a Agência Federal de Aviação americana (FAA) e a Agência Europeia de Segurança Aérea (AESA) suspenderam nesta quinta-feira a proibição aos voos, mas várias companhias, como a Air France e a Lufthansa, não retomaram suas rotas para a região.

AFP