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Combatentes das Farc comemoram Ano Novo no acampamento Alberto Martinez, no município de Vegaez, em 1º de dezembro de 2017

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Uma festa de réveillon das Farc no norte da Colômbia, da qual participaram membros da missão da ONU no país que deveriam monitorar o desarmamento da guerrilha, provocou a expulsão, nesta quinta-feira, de quatro integrantes da missão - uma sanção criticada pelos insurgentes.

Observadores internacionais não armados, enviados pelas Nações Unidas para acompanhar o fim do conflito com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas), dançaram com guerrilheiros durante a festividade, realizada em um ponto de reunião temporário de insurgentes em La Guajira, segundo imagens publicadas no domingo pela imprensa colombiana.

"Concluídas as investigações sobre as circunstâncias" do ocorrido, "a Missão da ONU na Colômbia tomou a decisão de afastar de seu serviço três observadores presentes na ocasião e seu supervisor direto", informou a organização em um comunicado.

Estes funcionários "não trabalharão mais para a Missão da ONU na Colômbia e voltarão aos seus países de origem", explicou à AFP uma porta-voz da entidade, sem revelar nem a identidade, nem a nacionalidade dos punidos, alegando normas de confidencialidade.

A missão política da ONU na Colômbia para verificar o fim do conflito foi decidida por unanimidade em janeiro passado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que também decidiu na ocasião fazer parte do mecanismo tripartite (ONU, governo e Farc) para a supervisão do cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo.

Após tomar conhecimento da sanção, as Farc anunciaram nesta quinta-feira sua retirada do mecanismo tripartite local do município de Conejo, em La Guajira, onde ocorreu a festa polêmica.

"As Farc retiram seu componente (...) até que a ONU esclareça a demissão de seu pessoal" informou a liderança do bloco Martín Caballero.

Os guerrilheiros lamentaram o afastamento dos observadores apenas por compartilharem um evento social com os rebeldes, seus familiares e a comunidade.

Na segunda-feira, o líder das Farc, Rodrigo Londoño "Timochenko", ironizou no Twitter a polêmica em torno do tema: "Não sabem como fazer notícia com as @FARC_EPueblo, o escândalo da semana é que comemoramos a chegada do #AñoNuevo".

No mesmo dia, a missão da ONU na Colômbia condenou que seus membros tivessem dançado com insurgentes nesta comemoração. "Este comportamento é inapropriado e não reflete os valores de profissionalismo e imparcialidade da Missão", destacou na ocasião, advertindo que medidas seriam tomadas.

Após as investigações, determinou-se que foram quatro os envolvidos na conduta inadequada, segundo a porta-voz da ONU consultada pela AFP.

A Missão das Nações Unidas na Colômbia reiterou nesta quinta-feira "sua determinação de verificar com total imparcialidade os compromissos das partes sobre o cessar-fogo e de hostilidades e a deposição de armas" das Farc, depois que as partes assinaram, em 24 de novembro, o acordo de paz para acabar com mais de meio século de conflito.

A guerrilha, que estima ter 5.700 combatentes, se reúne em locais vizinhos às 26 zonas onde, no prazo máximo de seis meses, deverão se desarmar e retornar à vida civil, sob supervisão da ONU.

Para estes trabalhos, a Secretaria Geral solicitou ao Conselho de Segurança o envio de 450 observadores internacionais, dos quais 280 já chegaram ao país.

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AFP