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Rússia abre investigação contra opositor Alexei Navalni por 'fraude'

(Arquivo) Opositor russo Alexei Navalni dá entrevista em Moscou, em 20 de julho de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. dezembro 2020 - 20:30
(AFP)

As autoridades russas anunciaram nesta terça-feira (29) a abertura de uma investigação por "fraude em larga escala" contra o opositor Alexei Navalni, que convalesce no exterior desde seu suposto envenenamento em meados deste ano.

O Comitê de Investigação informou em um comunicado que suspeita que Navalni tenha gasto para uso pessoal 356 milhões de rublos (4,8 milhões de dólares) de doações coletadas por várias organizações, entre elas algumas de luta contra a corrupção e a favor dos direitos humanos.

As autoridades mencionam em particular as doações ao Fundo de Combate à Corrupção, fundado pela oposição, e as de cinco outras organizações de direitos humanos das quais Navalni é o "diretor de fato".

A Comissão de Investigação sustenta que Navalni utilizou esse dinheiro "para aquisição de bens pessoais e materiais, assim como para pagamento de despesas", incluindo férias no exterior.

A legislação russa prevê uma pena de até dez anos de prisão por este delito.

"Parece que (o presidente russo Vladimir) Putin está tendo um ataque de histeria", reagiu o opositor no Twitter e pediu a seus seguidores que "zombem" dessa nova investigação continuando a doar para suas organizações.

Ele também afirmou que o novo caso estava relacionado a seu suposto envenenamento na Sibéria no final de agosto, quando alegou ter sido vítima de um ataque ordenado pelo Kremlin com um agente neurotóxico.

A Rússia afirma que não existem provas de tal crime, apesar de Navalni ter desmaiado em um avião na Sibéria e os resultados de três laboratórios europeus estabelecerem que ele foi envenenado.

"Eles tentam me mandar para a prisão porque eu não morri e então procurei meus assassinos", disse Navalni na terça-feira.

O opositor publicou na semana passada um vídeo de uma conversa telefônica com um suposto membro do FSB em que este, pensando estar falando com um oficial de inteligência, explica que os serviços especiais russos envenenaram Alexei Navalni.

As autoridades descreveram a conversa como "falsificação", mas nunca negaram que o interlocutor de Navalni fosse um agente.

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