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O presidente russo Vladimir Putin, no Kremlin, em Moscou, no dia 24 de outubro de 2017

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Teerã e Moscou celebraram nesta quarta-feira sua cooperação em relação à guerra na Síria, durante a visita de Vladimir Putin à capital iraniana, que permitiu também reforçar os vínculos econômicos entre Rússia e Irã, dois países marginalizados pelos Estados Unidos.

"Graças a nossos esforços conjuntos, assim como aos esforços da Turquia, a situação sobre o território [sírio] se desenvolve de forma muito positiva em matéria da luta contra o terrorismo", estimou o presidente russo em um breve encontro com a imprensa.

O presidente Hassan Rohani qualificou a Rússia de "país amigo" e de "parceiro estratégico do Irã" e considerou que "a cooperação" entre os dois países "teve um grande efeito na lucha contra o terrorismo" na Síria.

Após receber Putin, o guia supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, insistiu em que "todas as soluções para a questão do poder na Síria vêm do interior deste país".

Durante a última visita do presidente russo, em novembro de 2015, Teerã e Moscou, principais aliados do governo de Damasco, afirmaram que nenhuma solução viável para a crise síria poderia vir do exterior.

Putin informou que discutiu "o problema nuclear iraniano" com Rohani, que afirmou que o presidente russo lhe garantiu apoio diante das ameaças do presidente americano, Donald Trump, de denunciar o acordo.

Esse acordo, concluído em 2015 entre o Irã e o Grupo dos Seis (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia - e a Alemanha), permitiu a retirada das sanções econômicas internacionais contra Teerã em troca de garantias de que a República Islâmica não desenvolveria a bomba atômica.

A visita de Putin também teve um importante viés econômico, com uma rápida reunião com Rohani e o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev. Os três chefes de Estado afirmaram sua vontade de intensificar sua cooperação econômica, sobretudo no setor de energia.

- Neutralizar as sanções -

À margem da visita, a companhia russa de hidrocarbonetos Rosneft anunciou a assinatura de um protocolo de intenções com a estatal iraniana Nioc para projetos de exploração comum dos campos de petróleo e de gás no Irã, com um "investimento total de até 30 bilhões de dólares".

Rússia e Irã, rivais durante muito tempo, melhoraram sua relação no final da Guerra Fria. Há alguns anos, Moscou e Teerã se aproximaram claramente, movidos por interesses geopolíticos comuns.

Quando o Irã estava isolado internacionalmente, a Rússia aceitou nos anos 1990 retomar o contrato de construção da central nuclear de Bushehr, no sul do país, abandonado pela Alemanha. A central entrou em operação em 2011.

Rússia e Irã são os principais apoios estrangeiros do governo da Síria e apadrinham junto com a Turquia - que apoia os rebeldes - negociações que se concentram em aspectos militares, humanitários e técnicos para pôr fim ao conflito.

A última visita de Putin a Teerã, em novembro de 2015, refletiu a total sintonia entre Rússia e Irã sobre a guerra na Síria.

A visita do presidente russo acontece um dia depois de o Tesouro dos Estados Unidos anunciar novas diretrizes para aplicar uma lei promulgada em agosto por Trump e que institui novas sanções contra Rússia e Teerã. Nesse texto, os legislativos dos dois países são qualificados como "adversários dos Estados Unidos".

O guia supremo iraniano considerou que a cooperação entre Moscou e Teerã é "útil para lutar contra as sanções americanas" e destacou que Irã e Rússia podem "neutralizar" essas sanções "especialmente substituindo o dólar por [suas] moedas nacionais em [suas] trocas econômicas".

Segundo uma fonte oficial iraniana, Putin, Rohani e Aliyev trataram de um projeto de construção de um trecho da ferrovia de cerca de 170 km entre o Irã e o Azerbaijão.

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AFP