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O chanceler russo, Sergei Lavrov

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A Rússia pediu neste sábado o diálogo entre o Catar e seus vizinhos do Golfo para pôr fim a uma crise que, segundo a Anistia Internacional, coloca em risco a vida de milhares de pessoas.

"Somos partidários de resolver qualquer divergência com o diálogo. Não podemos nos conformar com uma situação em que as relações entre nossos parceiros se deterioram", declarou o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov.

O chefe da diplomacia russa fez essas declarações em Moscou, onde recebeu seu homólogo do Catar, o xeque Mohamed bin Abdulrahman Al Thani, que busca apoio no exterior para evitar o isolamento de seu país no cenário internacional.

Lavrov garantiu que a Rússia está "disposta a fazer tudo o que for possível" para reduzir as tensões nessa região.

O Catar se encontra isolado desde segunda-feira, quando a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein, o Egito e o Iêmen decidiram romper relações diplomáticas com Doha, acusada de "apoiar o terrorismo" e de se aproximar do rival iraniano.

Essa decisão levou à interrupção das comunicações aéreas, marítimas e terrestres com o pequeno emirado, rico em hidrocarbonetos, que importa uma grande parte dos produtos consumidos por seus habitantes.

A Anistia Internacional advertiu neste sábado que, ao aplicar essas medidas, Riad e seus aliados "brincam" com a vida de milhares de pessoas, separando famílias e destruindo os meios de subsistência e de educação de parte da população.

"Para milhares de pessoas no Golfo, o resultado dessas medidas é o sofrimento, os tormentos e o medo", disse James Lynch, um funcionário dessa ONG, em comunicado.

O chefe da diplomacia americana, Rex Tillerson, pediu na sexta-feira à Arábia Saudita e a seus aliados que aliviem o bloqueio, que tem "consequências humanitárias".

- Apoio turco -

Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, demonstrou mais firmeza com o Catar, exigindo que o país pare "imediatamente" de financiar "o terrorismo". "Infelizmente, a nação do Catar tem financiado historicamente o terrorismo em um nível muito alto", declarou à imprensa na Casa Branca.

Suas declarações foram comemoradas por Riad, e o embaixador dos Emirados Árabes em Washington afirmou que Trump demonstrou "liderança" ao falar assim de Doah e de seu "preocupante apoio ao extremismo".

O Catar, que abriga uma imensa base militar americana considerada fundamental na luta contra o grupo Estado Islâmico, rejeitou todas as acusações das quais foi alvo nesta semana.

"O bloqueio (...) do Catar é inaceitável", denunciou Al Thani, que esteve nessa sexta-feira na Alemanha e em Bruxelas, onde se reuniu com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Mogherini também pediu "diálogo político", exemplificando os "esforços de mediação" empreendidos pelo Kuwait, que não rompeu diplomaticamente com Doha.

O pequeno emirado também pode contar com o apoio da Turquia. "Tenho um pedido para o governo saudita: são o maior país do Golfo, o mais poderoso (...), deveria dar uma sinal de fraternidade, deveria unir todo o mundo", declarou na sexta-feira o presidente Recep Tayyip Erdogan.

O mandatário turco afirmou que seu país continuará ajudando seus "irmãos e irmãs do Catar" exportando para lá alimentos, medicamentos e outros produtos.

Neste sábado, ao receber o chanceler do Bahrein, Erdogan pediu que o Catar e seus vizinhos ponham fim "a esse problema antes que o mês do ramadã termine".

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