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Cliente faz compras em supermercado de Moscou em 5 de agosto de 2013

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O presidente Vladimir Putin impôs nesta quarta-feira uma série proibições e restrições à importação de produtos agrícolas dos países que a sancionaram em razão da crise ucraniana.

A decisão marca outra escalada no impasse diplomático que tem cada vez mais isolado a Rússia no que a alguns veículos de comunicação dos Estados Unidos têm chamado de "nova Guerra Fria".

A medida pode contribuir para o aumento dos preços dos alimentos e para fortalecer o descontentamento da população russa com a desaceleração econômica que os analistas relacionam indiretamente com o apoio aos insurgentes que lutam contra as forças do governo ucraniano.

Putin havia prometido proteger os consumidores russos dos efeitos de qualquer medida de retaliação tomada em resposta às sanções do ocidente contra a Rússia.

O Kremlin afirmou em comunicado que o decreto executivo de Putin tem como objetivo "proibir ou limitar por um ano as importações do território russo de certos tipos de produtos agrícolas, de matérias-primas e de produtos alimentícios provenientes de países que decidiram instaurar sanções econômicas contra a Rússia."

A porta-voz do governo Natalia Timakova informou que os ministros do governo já estão elaborando a lista de bens que devem sofrer a futura restrição das importações. O setor de agricultura da Rússia disse que submeterá suas recomendações até o final da semana.

As estatísticas oficiais demonstram que a Rússia importou cerca de um terço dos alimentos consumidos na última década.

Algumas dessas importações vieram de nações da antiga União Soviética que têm vínculos estreitos com Moscou. A crescente classe média russa, no entanto, já se acostumou com os produtos europeus nas prateleiras dos seus supermercados.

Custos significativos para a Rússia

A Rússia já suspendeu algumas importações de alimentos de países europeus, assim como ameaçou limitar a quantidade de frango importado dos Estados Unidos.

Moscou, entretanto, negou que essas medidas estavam relacionadas às sanções impostas por Bruxelas e Washington contra companhias estatais e autoridades ligadas a Putin.

As últimas medidas de punição impedem que companhias nos EUA e na UE negociem com os setores de armas e de petróleo da Rússia.

As principais empresas estatais russas tiveram seu acesso ao mercado de capitais do ocidente bastante restrito e enfrentam um possível congelamento das negociações de suas ações nas bolsas da Europa e de Nova York.

A volatilidade dos fluxos de capital do ocidente na Rússia tem foçado o Kremlin a buscar novas alianças com a China e até mesmo com nações como o Irã.

o jornal russo Moscow's Vedomosti afirmou que o governo russo considera a possibilidade de contra-atacar a UE com a proibição total ou parcial dos voos de suas companhias aéreas sobre a Sibéria até a Ásia.

Estima-se que as sanções conduzam a fraca economia russa para a beira da recessão até o final do ano.

"As medidas de retaliação trazem custos significativos para a economia russa", afirma em nota a consultoria Capital Economic.

"No curto prazo, a economia deve entrar em uma profunda recessão, com uma contração entre 2% e 3 %."

As sanções do Ocidente, contudo, não foram capazes persuadir Putin a convencer os insurgentes separatistas que lutam contra as forças do governo da Ucrânia desde abril a depor suas armas.

A OTAN informou nesta semana que a Rússia aumentou de 12.00 para 20.000 o número de soldados deslocados para a fronteira.

AFP