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O presidente russo Vladimir Putin, no Kremlin, em Moscou, no dia 24 de outubro de 2017

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A Rússia vetou nesta terça-feira (24) um projeto de resolução das Nações Unidas, apresentado pelos Estados Unidos, para ampliar uma investigação internacional para determinar quem é o responsável pelos ataques químicos na Síria.

Esta é a nona vez que a Rússia utiliza o seu poder de veto no Conselho de Segurança para bloquear uma ação que afeta o seu aliado sírio.

A Rússia se opôs à renovação do mandato do painel conjunto da ONU e da Organização Internacional para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) antes da publicação de um relatório sobre um ataque com gás sarin ocorrido em 4 de abril em Khan Sheikhun, esperado para quinta-feira (26).

Em declaração emitida em Moscou, o ministro das Relações Exteriores insistiu em que tem o direito de estudar o relatório antes de fazer uma avaliação e acusou os Estados Unidos de tentar "impor sua posição".

Estados Unidos, França e Grã-Bretanha acusaram as forças do presidente Bashar al-Assad de realizar um ataque contra essa cidade que era controlada pela oposição, deixando dezenas de mortos, incluindo crianças.

Após o veto, a embaixadora americana Nikki Haley acusou Moscou de "mais uma vez" tomar partido de "ditadores e terroristas que usam essas armas".

A Rússia "demonstrou que fará o que for necessário para garantir que o regime bárbaro de Assad nunca enfrente as consequências do uso contínuo de produtos químicos como armas", ressaltou Haley em comunicado.

"Ao rechaçar a renovação do trabalho do Mecanismo de Investigação Conjunto (JIM, em inglês) - um ente independente e puramente técnico -, a Rússia deixou claro que não se importa em frear o uso de armas químicas no mundo", acrescentou.

Moscou não conseguiu reunir apoio suficiente para adotar uma medida adiando a votação até o próximo mês. O mandato da comissão termina em 17 de novembro.

China e Cazaquistão abstiveram-se, a Bolívia votou contra a renovação e outros 11 países apoiaram o prolongamento de seu mandato. Mas a Rússia bloqueou a decisão.

Uma resolução exige nove votos para ser aprovada pelo Conselho, mas cinco países têm poder de veto: Rússia, China, Reino Unido, França e Estados Unidos.

- "Desonrar a Rússia" -

O embaixador russo Vasily Nebenzia acusou os Estados Unidos e seus aliados de tentarem aprovar a medida para "desonrar a Rússia".

"O que está acontecendo hoje não é muito amável", disse Nebenzia. "De fato, fede", acrescentou.

O diplomata também criticou a comissão, apontando que sua metodologia e "falta de evidências" na investigação de Khan Sheikhun era "risível".

No entanto, assegurou que o Conselho pode votar novamente sobre a resolução do mandato do JIM após ter analisado o seu relatório sobre Khan Sheikhun.

"Não fechamos o JIM. Simplesmente não tomamos a decisão de estender o seu mandato hoje, mas voltaremos a isso", disse Nebenzi.

Mais de 87 pessoas morreram em Khan Sheikhun, em meio à indignação mundial. O caso levou os Estados Unidos a dispararem mísseis sobre uma base aérea síria da qual supõem que o ataque tenha sido lançado.

No mês passado, investigadores da ONU disseram que tinham provas de que a força aérea síria estava por trás do ataque, mas Damasco negou categoricamente.

A Rússia sustenta que o ataque com gás sarin provavelmente foi causado por uma bomba no terreno e não por um ataque aéreo sírio.

Embora a Opaq tenha determinado que no ataque de abril foi usado gás sarin, eles não contam com um mandato para assinalar um responsável, o que corresponde ao JIM.

O painel conjunto já havia concluído que o governo sírio era responsável por ataques com cloro em três povoados em 2014 e 2015, e que o grupo extremista Estado Islâmico usou gás mostarda em 2015.

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AFP