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O presidente cubano, Raúl Castro (C), chega ao aeroporto de Punta Cana, no dia 24 de janeiro de 2017

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Faltando oito meses para deixar o poder, o presidente de Cuba, Raúl Castro, abriu caminho nessa quinta-feira para novas mudanças econômicas no país, no contexto de crise na Venezuela e de possível recuo na relação com os Estados Unidos.

Sem anunciar uma reforma concreta dentro do processo de flexibilização do modelo socialista, Castro encerrou uma sessão extraordinária do Parlamento em que foi aprovada uma série de documentos que guiarão o rumo de Cuba depois de que ele deixar a presidência em fevereiro de 2018.

Esses documentos "nos permitirão continuar avançando na atualização do modelo econômico e social ou a mudar tudo o que precisa ser mudado", afirmou o líder de 85 anos ao poder legislativo reunido em Havana sem acesso à imprensa internacional.

Faremos isso "na velocidade que nos permitam o consenso que construiremos no interior de nossa sociedade e a capacidade que demostraremos de fazer as coisas, para evitar erros graves", acrescentou.

Os 612 deputados aprovaram os documentos expedidos pelo Partido Comunista de Cuba, presidido por Castro, em seu Sétimo Congresso celebrado em abril de 2016. Foi a última ocasião em que o líder Fidel Castro falou ao partido antes de morrer em novembro do ano passado, aos 90 anos.

Os documentos, que incluem linhas políticas e econômicas até 2030, foram submetidos a uma ampla discussão nas assembleias populares, e sofreram modificações apoiadas nesta quinta-feira pelo parlamento.

Os textos definitivos deveriam ser divulgados nos próximos dias, mas além das mudanças se espera que os mesmos ratifiquem o anunciado por Raúl e Fidel no ano passado, quando descartaram por duas vezes o retorno do capitalismo e o fim do regime de partido único vigente há mais de meio século.

"Esses fundamentos programáticos (...) reafirmam o caráter socialista da Revolução Cubana e o papel do Partido Comunista como força dirigente superior da sociedade e do Estado", ressaltou Castro.

Mesmo assim, espera-se espera um reconhecimento legal da empresa privada, sem, contudo, caminhar para a concentração da riqueza.

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