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(14 ago) Fumaça domina o horizonte de Raqa enquanto as Forças Democráticas sírias tentam recuperar a cidade do domínio do grupo Estado Islâmico

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Raqa, localidade milenar no norte da Síria, foi a primeira grande cidade do país a cair nas mãos dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI). Posteriormente, se converteu em sua "capital".

- Ex-capital abássida -

Raqa viveu o seu apogeu durante o Califado dos Abássidas. Em 772 d.C., o califa Al-Mansur ordenou a construção, seguindo o modelo de Bagdá, de uma cidade-guarnição, Al-Rafiqa, junto à antiga Raqa. Mais tarde as duas localidades se uniram.

De 796 a 809, o poderoso califa Harun al-Rashid decidiu transferir a capital dos abássidas, que era Bagdá, para Raqa, no cruzamento das estradas entre Bizâncio, Damasco e Mesopotâmia. Lançou grandes obras e dotou a cidade de palácios, mansões e mesquitas.

Em 1258, a cidade foi devastada pela invasão dos mongóis.

- Às margens do Eufrates -

Raqa, de maioria sunita, está estrategicamente situada no Vale do Eufrates: perto da fronteira com a Turquia, a 160 km de Aleppo e a menos de 200 km da fronteira iraquiana.

A construção de uma represa perto da cidade de Tabqa, mais a oeste, permitiu que Raqa desempenhasse um papel importante na economia graças à agricultura.

- Nas mãos dos rebeldes -

Raqa se tornou em março de 2013 a primeira capital provincial síria a cair nas mãos de grupos rebeldes opostos ao governo de Bashar al-Assad.

Os insurgentes capturaram seu governador e se apoderaram da sede da Inteligência militar, um dos piores centros de detenção na província, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

- Reduto do EI -

No início de 2014, a organização que em junho daquele ano passou a se chamar grupo Estado Islâmico, expulsou os rebeldes da cidade e tomou o seu controle.

Em junho de 2014, o EI proclamou um "califado" nos territórios conquistados entre Síria e Iraque. Em agosto daquele ano, o EI controlou completamente a província de Raqa.

Rapidamente, o grupo extremista sunita impôs sua lei mediante o terror.

A partir de junho de 2015 começou a perder cidades na província - Tal Abyad e Ain Isa - para combatentes curdos.

- Execuções e sequestros -

O EI multiplicou as atrocidades: decapitações, execuções em massa, estupros, sequestros e limpeza étnica. O grupo apedrejou mulheres suspeitas de adultério e infligiu mortes violentas aos homossexuais.

Algumas de suas ações foram gravadas em vídeos convertidos em armas de propaganda.

- Batalha de Raqa -

Raqa foi nos últimos dois anos um alvo constante dos ataques aéreos do governo sírio, da Rússia e da coalizão internacional antiextremista liderada pelos Estados Unidos.

Em 5 de novembro de 2016, as Forças Democráticas Sírias (FDS, formadas por combatentes curdos e árabes) lançam uma grande ofensiva chamada "Fúria do Eufrates" para reconquistar Raqa.

As FDS contaram com o apoio aéreo da coalizão internacional, e terrestre de conselheiros militares americanos.

Em 10 de maio de 2017, as FDS conquistaram a cidade de Tabqa e sua represa, posição-chave a 50 km a oeste de Raqa.

Em 6 de junho, entraram em Raqa.

Em 1º de setembro, a aliança, que já expulsou os extremistas de mais de 60% da localidade, se apodera da Cidade Velha.

- "Labirinto mortal" -

A ONU cifra em até 25.000 o número de civis presentes na cidade. Dezenas de milhares fugiram.

Em 24 de agosto, o chefe do grupo de trabalho humanitário da ONU para a Síria exige "pausas" nos combates contra os extremistas do EI para permitir que civis fujam de Raqa.

Segundo a Anistia Internacional, "milhares de civis no interior estão presos em um labirinto mortal".

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AFP