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Rebeldes pró-Rússia mantêm dezenas soldados ucranianos como reféns em zombaria às comemorações do Dia da Independência ucraniana no reduto separatista de Donetsk, em 24 de agosto de 2014.

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Os rebeldes pró-Rússia mantêm nesta segunda-feira uma ofensiva ao sul de Donetsk, tentando recuperar terreno na véspera de uma reunião entre Petro Poroshenko e Vladimir Putin, durante uma cúpula diplomática em Belarus.

Os dois chefes de Estado deverão se reunir terça-feira na capital bielorrussa, Minsk, para uma cúpula regional sobre o acordo de associação assinado entre Kiev e Bruxelas, onde também estarão presentes líderes da União Europeia.

Apesar de não haver reunião oficial programada entre os dois, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, prometeu "falar de paz" com o seu colega russo, e que espera convencê-lo a pedir a retirada dos combatentes rebeldes do leste de Ucrânia, em um conflito que já deixou mais de 2.200 mortos em quatro meses.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, expressou nesta segunda-feira esperança de que esta reunião possa "facilitar a troca de opiniões" para que uma solução para a crise seja encontrada. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou que Moscou tem a intenção de discutir "questões humanitárias".

"Os dois líderes são prisioneiros de sua opinião pública e não podem fazer concessões significativas. Isso acontece principalmente porque o tempo é favorável a Moscou, que pode querer prolongar o conflito até o inverno", acredita o analista Konstantin Kalatchev.

"Essas negociações não são uma ficção. Todo mundo percebeu que um prolongamento do conflito pode levar a uma catástrofe de grandes proporções", ressalta o especialista russo Fyodor Lukyanov.

"Mas os combates não devem parar. Em conversas do tipo, os confrontos são um argumento adicional", acrescenta.

Contra-ofensiva rebelde no sul

Enquanto isso, um líder dos separatistas anunciou no domingo uma contra-ofensiva contra o Exército no sul do reduto insurgente de Donetsk, e disse ter mobilizado tanques e artilharia.

O Estado-Maior da operação militar ucraniana no leste admitiu nesta segunda um aumento da ação inimiga.

Em Donetsk, reduto dos insurgentes sitiado pelo Exército ucraniano, foram ouvidas fortes explosões na tarde desta segunda-feira. Combates eram travados no sul da cidade durante a manhã e colunas de fumaça podiam ser vistas, afirmaram jornalistas da AFP.

A pequena cidade de Olenivka, sacudida pelos bombardeios há uma semana, parece ser um dos alvos da batalha, de acordo com autoridades separatistas.

Além disso, um porta-voz militar afirmou que o Exército conseguiu conter uma coluna de "dez tanques e dois veículos blindados que transportavam as tropas", agitavam bandeiras separatistas e se dirigiam à cidade costeira de Mariupol, depois de ter atravessado a fronteira a partir da Rússia.

A moradora de uma localidade próxima indicou à AFP que tinha ouvido explosões no leste, em direção à fronteira.

A Chancelaria russa desmentiu as informações.

"Não ouvi falar disso, mas há muita desinformação a respeito desta invasão", indicou.

A Ucrânia denunciou em muitas ocasiões as incursões em seu território de unidades militares russas e o bombardeio de suas tropas a partir do outro lado da fronteira, e também acusou Moscou de entregar armas aos separatistas, o que a Rússia sempre negou.

Novo comboio humanitário russo

Enquanto os combates prosseguem, Moscou advertiu para a possibilidade do envio "ainda nesta semana" de um novo comboio humanitário, poucos dias após a entrada de um primeiro comboio no território ucraniano.

A Rússia enviou à Ucrânia cerca de 220 caminhões com 1.800 toneladas de ajuda humanitária, de acordo com Moscou, sem a permissão de Kiev e praticamente nenhum controle sobre sua carga.

Todo o comboio descarregou durante a noite no reduto pró-russo de Lugansk, que está sem água e energia elétrica há mais de três semanas.

O presidente ucraniano manifestou nesta segunda-feira sua "profunda preocupação" após o anúncio do envio de um novo comboio de ajuda humanitária e com a violação da fronteira da Ucrânia pela coluna de blindados russos.

Pouco antes, Serguei Lavrov declarou que Moscou "espera que os mal-entendidos que ocorreram com a passagem do primeiro comboio sejam levados em conta e que não haja mais atrasos".

Kiev e alguns países ocidentais temem que as iniciativas russas sejam apenas um pretexto para uma "provocação" que poderia servir como um disfarce para uma intervenção militar russa na Ucrânia.

AFP