Um morador de Bordeaux (sudoeste da França), hospitalizado 22 dias após ter sido infectado com o novo coronavírus, agora indetectável em seu corpo, foi tratado com remdesivir, um antiviral "promissor" - anunciou sua equipe médica nesta sexta-feira (14).

De origem chinesa, o homem de 48 anos foi hospitalizado em 23 de janeiro, no dia seguinte ao seu retorno de uma viagem à China que o levou a Wuhan, o epicentro da doença. Ele recebeu alta na quinta-feira e disse à AFP que "não era mais portador do vírus".

O remdesivir, da americana Gilead, "atua diretamente sobre o vírus para impedir sua multiplicação", explicou o professor Denis Malvy, chefe da unidade de doenças tropicais do Centro Hospitalar Universitário (CHU) Pellegrin.

É uma "pequena molécula capaz de alcançar todos os compartimentos do organismo e que sabemos que se difunde perfeitamente nos pulmões, órgão alvo da doença", acrescentou o médico, especificando que o medicamento é administrado por via intravenosa por dez dias.

É "atualmente o candidato mais convincente e promissor para uma avaliação", acrescentou, ressaltando que a escolha deste medicamento foi feita "colegialmente em nível nacional, em consulta com a OMS (Organização Mundial da Saúde)".

Será objeto de um teste terapêutico comparativo na China com a coordenação da OMS "nos próximos dias".

O professor Malvy mencionou um "segundo candidato", o lopinavir usado contra o HIV, combinado ao ritonavir, que tem sido testado na China. Os resultados dessa nova tentativa estão sendo aguardados.

O paciente de Bordeaux deixou o CHU "sem sinais clínicos e não está mais portando qualquer vestígio da presença do vírus", acrescentou o médico.

Continuará, porém, sendo acompanhado.

"Vamos monitorá-lo por um período de algumas semanas para uma nova avaliação clínica e radiológica presencial. Talvez também para um exame de sangue", completou Malvy.

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