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Reino Unido inicia vacinação contra covid-19; doença avança nos Estados Unidos

Margaret Keenan (C), 90 anos, a primeira pessoa a receber a vacina Pfizer/BioNTech no Reino Unido afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. dezembro 2020 - 11:32
(AFP)

O Reino Unido começou a vacinar nesta terça-feira sua população contra a covid-19, uma medida que gera esperança e deve ser imitada em breve por outros países para controlar uma pandemia que continua avançando nos Estados Unidos, onde 20 milhões de pessoas voltaram ao confinamento na Califórnia.

No Reino Unido, o momento, desejado e "histórico", foi simbolizado em uma imagem: Margaret Keenan, uma idosa de 90 anos, sentada em uma cadeira com o braço estendido, conversando tranquilamente com uma enfermeira em um hospital de Coventry, região central da Inglaterra.

Ela foi a primeira paciente a receber a vacina dos laboratórios americano Pfizer e alemão BioNTech no país mais afetado da Europa pela doença, com quase 61.500 mortos.

"Me sinto muito privilegiada por ser a primeira pessoa a ser vacinada contra a covid-19. É o melhor presente de aniversário antecipado que poderia esperar", declarou Kenan diante dos fotógrafos, uma semana antes de completar 91 anos.

O Reino Unido se tornou o primeiro país ocidental a iniciar a vacinação, no momento em que o balanço mundial da pandemia supera 1,5 milhão de mortes e 67 milhões de contágios.

A Rússia começou a imunizar a população no fim de semana com sua própria vacina, denominada Sputnik V e que ainda está na última fase de testes clínicos, e a China está utilizando uma vacina experimental em um grupo reduzido da população.

- Confinamento na Califórnia -

Atualmente há 51 candidatas a vacina, 13 delas na etapa final dos testes clínicos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que na segunda-feira considerou que a vacina não deve ser obrigatória, exceto em circunstâncias profissionais específicas.

Nos Estados Unidos e na União Europeia (UE), as agências reguladoras devem anunciar as aprovações em breve e os países poderão iniciar as campanhas de vacinação, provavelmente a partir de janeiro.

No Brasil, onde a pandemia já provocou mais de 177.000 mortes, o estado de São Paulo pretende iniciar a imunização em 25 de janeiro, com a vacina chinesa CoronaVac, que está na última fase de estudos.

O Brasil é o segundo país com mais vítimas fatais por coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que registrou até o momento mais 283.000 óbitos e quase 15 milhões de casos.

Na Califórnia, o governador Gavin Newsom decidiu na segunda-feira determinar um novo confinamento no sul do estado, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas.

"Estamos em um ponto-chave em nossa luta contra o vírus e devemos tomar medidas decisivas agora para evitar que o sistema de saúde da Califórnia seja sobrecarregado", declarou o governador, ao explicar que as UTIs do estado registram taxa de ocupação de 85%.

Do outro lado do país, a cidade de Nova York reabriu na segunda-feira as escolas do ensino básico, mas as autoridades cogitam a possibilidade de voltar a fechar os restaurantes devido ao aumento de casos.

Entre os infectados recentemente está o advogado do presidente Donald Trump, Rudy Giuliani, que está "muito bem e sem febre", de acordo com o chefe de Estado.

- "Propagação de epidemias" -

Em todo o planeta, os governos tentam encontrar um equilíbrio delicado entre frear a pandemia e tentar evitar que as restrições derrubem ainda mais a economia.

Vários países, no entanto, planejam manter importantes restrições de movimento durante as festas de Natal e de fim de ano.

Na França, o governo reconheceu que vai demorar a alcançar a meta de 5.000 casos diários, estabelecida como condição para flexibilizar as restrições a partir de 15 de dezembro. Na Alemanha, o governo admitiu que a tendência "não é a esperada" e provavelmente será necessário aplicar novas medidas durante as festas.

A Dinamarca fechou as escolas de ensino médio, bares e restaurantes em 38 localidades, incluindo a capital Copenhague.

Os contágios também aumentaram em Israel, que estabeleceu um toque de recolher noturno esta semana, enquanto a Grécia decidiu prolongar as restrições - fechamento de escolas, restaurantes, academias e estações de esqui - até 7 de janeiro.

Em Hong Kong, as autoridades anunciaram nesta terça-feira que os restaurantes devem interromper as atividades às 18h00, assim como o fechamento de academias e salões de beleza. O território semiautônomo de 7,5 milhões de habitantes registrando mais de 100 casos por dia, o maior nível desde junho.

Na América Latina e Caribe, a região metropolitana de Santiago, onde vive mais de um terço da população do Chile, retrocederá na quinta-feira para uma quarentena durante os fins semana.

Em Cuba, a ONG Human Rights Watch alertou que as restrições em vigor poderiam acobertar o aumento da repressão dos opositores.

A organização citou os casos de 14 artistas e dissidentes detidos por "propagação de epidemias" ou as detenções em condições insalubres.

"As autoridades cubanas se aproveitam das normas contra a covid-19 para ampliar a longa lista de ferramentas repressivas que usam contra seus críticos", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW.

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