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Forças iraquianas avançam em redutos do Estado Islâmico, em Hawija, no dia 2 de outubro de 2017

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O grupo extremista Estado Islâmico (EI) tinha a reputação de apenas reivindicar os atentados que havia organizado ou inspirado. Porém, nos últimos meses, após ter perdido terreno em seu "califado" na Síria e no Iraque, surgem dúvidas a respeito de suas reivindicações, segundo especialistas e autoridades.

O EI afirmou que o assassino de Las Vegas, Stephen Paddock, um contador aposentado e assíduo apostador, era na verdade "Abu Abdelberr, o americano", "soldado do califado", recentemente convertido ao Islã.

No entanto, os investigadores e os serviços de inteligência se mostraram céticos quanto a essa declaração.

O FBI publicou um comunicado no qual descartou, até o momento, qualquer ligação entre Paddock com alguma organização terrorista.

Atualmente o "Daesh (acrônimo em árabe do Estado Islâmico) tende a reivindicar todos os atentados, porque sofreu perdas militares e, ao mesmo tempo, tem que seguir ganhando espaço na mídia", declarou nesta terça-feira (3) o ministro do Interior francês, Gérard Collomb.

O procedimento de assinatura de um ataque ou tentativa, incluindo frustrado ou abortado, manteve-se o mesmo por muito tempo: antes de realizar o ato, incluindo durante o atentado em si, caso fosse possível, o extremista deveria jurar fidelidade ao chefe do grupo, o autoproclamado "califa", Abu Bakr al Bagdadi, e reivindicar a sua ação em nome da jihad.

Deveria deixar em evidência, em sua casa ou carro, uma bandeira na cor preta, pertencente ao EI. Poderia também gravar um vídeo ou áudio para postá-lo na internet.

Desde o atentado em Nice, sul da França, em 2016, no qual morreram 86 pessoas quando um tunisiano que dirigia uma van atropelou uma multidão que comemorava o 14 de julho (feriado nacional francês), começaram a surgir dúvidas.

O Estado Islâmico se apressou em reivindicar a autoria do ataque, mas até o momento não foi confirmado nada que pudesse vincular o autor com o grupo extremista ou qualquer outro movimento.

- Reivindicar 'tudo o que pode ser visto' -

"Esse massacre não pode ser creditado ao extremismo, o autor tinha grandes problemas mentais", afirmou à AFP Farhad Khosrokhavar, da Escola francesa de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS). "Porém, ninguém escuta. Há momentos em que a sociedade é cega. E ajudam, portanto, a causa do Daesh", ressalta.

Com o EI perdendo território na Síria e no Iraque, as reivindicações duvidosas se multiplicam.

No dia 17 de setembro uma passageira de cerca de 50 anos não foi autorizada a embarcar em um voo Paris-Londres que decolaria de um dos aeroportos da capital francesa. Então, como vingança, a mulher comentou que o avião iria cair, o que culminou em sua prisão e na evacuação do avião, que decolou após buscas policiais minuciosas.

No dia seguinte, o jornal online Al Naba, publicado pelo EI, divulgou que um de seus membros tinha conseguido colocar explosivos no aeroporto, mas que foram "descobertos pelas forças cruzadas".

Para Paul Cruickshank, do Combating Terrorism Center de West Point, o "EI reivindicou falsamente nos últimos meses ataques e incidentes que não possuíam relação com o extremismo (...) com a intenção desesperada de chamar a atenção, vão reivindicar a autoria de qualquer coisa, sabendo que os seus simpatizantes não acreditam no governo ou na imprensa".

Shiraz Maher, especialista em radicalização islâmica do King's College de Londres, considera, ao analisar o assassino de Las Vegas, que "caso o autor fosse um convertido e tivesse tido contato com o EI, alguém saberia. Seus amigos, familiares, as forças de segurança terão que esclarecer esse tópico".

Para o especialista em movimentos islâmicos Mathieu Guidère, a perda de território do EI no Oriente Médio, particularmente a perda de seus redutos de Mossul e Raqa, explica certa improvisação nas reivindicações.

"O EI, que publica os comunicados através da agência Amaq (órgão de propagando do EI) está diante de uma televisão, assistindo CNN e AL Jazeera, e aí os reivindica", disse à AFP.

"Já não estamos mais diante de pessoas que pedem provas. Por isso existe uma tendência de reivindicar quase tudo o que se vê", acrescentou.

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AFP