Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Motorola Moto 360 watch em São Francisco, no dia 25 de junho de 2014

(afp_tickers)

Os relógios inteligentes, estrelas da edição 2015 do grande salão eletrônico IFA de Berlim, optam pela clássica caixa redonda para se diferenciar do modelo (quadrado) da Apple e tentar seduzir a clientela.

Samsung, Motorola, LG, Asus e Huawei apresentarão no maior salão de tecnologia do mundo seus últimos modelos de 'smartwatches', esses relógios que permitem, entre outras coisas, monitorar os batimentos cardíacos, receber notificações, ler SMS ou ver quem está ligando no telefone celular.

Todos têm um objetivo: que os relógios inteligentes encontrem seus clientes fora do nicho dos viciados em tecnologia.

Segundo pesquisa da federação alemã de eletrônica, a GFU, cerca de 16% dos alemães preveem comprar um destes relógios até o final de 2016, números muito inferiores aos 50% de pessoas entrevistadas que garantem que comprarão um 'smartphone' no mesmo período.

"É preciso tempo para demostrar o valor dos novos objetos conectados. Os primeiros relógios lançados há dois ou três anos se concentravam, sobretudo, em particularidades técnicas. Ainda faltava uma dimensão de design, indispensável para um acessório como um relógio, e uma dimensão de serviço", explica Thomas Husson, analista da consultoria norte-americana Forrester.

Mas, desde então, a "Apple conseguiu uma mudança" ao vender o relógio como um objeto de moda, apontou. O Apple Watch, que chegou às prateleiras em abril, deveria contribuir para dar o esperado impulso ao setor, segundo previsões de vários analistas.

A consultoria norte-americana Gartner estima que serão vendidos 40 milhões de "smartwatches" em todo o mundo em 2015, ou seja, oito vezes mais que em 2014, enquanto a Forrester prevê cerca de 20 milhões de vendas.

- Design da relojoaria clássica -

Há dois anos, no IFA de 2013, a Samsung anunciou seu primeiro relógio inteligente, o Samsung Gear. Este ano, a nova geração descartou a tela quadrada.

Com um mostrador redondo de 1,2 polegadas, o Samsung Gear S2, que foi apresentado nesta quinta, adotou os códigos da relojoaria clássica, como o novo Motorola 360 ou o modelo apresentado pela Huawei.

A fronteira entre o mundo da relojoaria e o da eletrônica deve ficar ainda mais tênue com a esperada chegada de 'smartwatches' de fabricantes como Tag-Heuer (em parceria com a Intel), Swatch ou Fossil.

A Sony, que já tem três gerações de relógios inteligentes no mercado, se afastou da concorrência com um acessório híbrido. O "Wena", que o grupo japonês conseguiu financiar pela internet com inesperado sucesso, é um relógio de aparência normal, mas a tecnologia está escondida na pulseira. Não é possível ler SMS na tela, mas a pulseira vibra ao receber uma nova chamada e um chip o transforma em carteira eletrônica.

A barreira dos sistemas operacionais também está desmoronando. A Google anunciou que os novos modelos de relógios que funcionam com seu sistema Android Wear também poderão se conectar com o iPhone da Apple. O Huawei Watch será um dos primeiros a desfrutar dessa possibilidade.

Jens Heithecker, diretor do IFA, leva no pulso um relógio inteligente de mostrador preto e pulseira branca. "Por mais estranho que possa parecer, no escritório, na minha vida cotidiana, tenho achado que ele é o mais fácil para me comunicar. Quando meu telefone some, sei que estou recebendo chamadas ou SMS", contou à AFP.

Para atingir um público maior e mais diverso, o mercado precisa de "um novo tipo de aplicativos destinados a todo o mundo, que as pessoas pensem: 'nossa, isso vai mudar minha vida!'", opina Ronan de Renesse, analista da Ovum.

Talvez também sejam necessários preços mais convidativos: os modelos mais baratos são vendidos por entre 300 e 400 euros (cerca de R$1600).

AFP