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A chanceler do Panamá e o colega chinês fazem um brinde após assinarem o comunicado conjunto estabelecendo relações diplomáticas

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A China conquistou uma importante vitória ao estabelecer relações diplomáticas com o Panamá, retirando um importante aliado de Taiwan e deixando-o com o reconhecimento de apenas 20 nações no mundo, entre elas várias da América Central.

A ruptura do Panamá com Taiwan aconteceu na segunda-feira à noite, quando o presidente Juan Carlos Varela reconheceu a China "como um só país" e anunciou que suas relações diplomáticas serão a partir de agora com Pequim.

O governo do Panamá "reconhece que existe uma só China no mundo e Taiwan faz parte inalienável do território chinês", segundo um comunicado.

Apesar do rompimento, o vice-chanceler panamenho, Luis Miguel Hincapié, indicou nesta terça-feira que seu país pretende manter escritórios comerciais em Taiwan.

"Taiwan não deixa de ser um investidor no Panamá, o que nós aspiramos é poder ter uma relação com Taiwan como muitos países que têm relações diplomáticas com a China", disse Hincapié à emissora Telemetro.

A vice-presidente e chanceler do Panamá, Isabel de Saint Malo, que está em Pequim, foi encarregada de formalizar o início das relações em um ato em que esteve presente o seu homólogo chinês, Wang Yi.

"Este é um momento histórico, as relações entre China e Panamá começam um novo capítulo", indicou o chanceler chinês, acrescentando que a decisão panamenha "está adequada aos tempos atuais" e é "totalmente de acordo" com os interesses de seu povo.

Saint Malo destacou que "ao nos unirmos aos 174 países que reconhecem a política de uma só China", o Panamá ratifica "que a República Popular da China é o único governo legítimo".

Até segunda-feira o Panamá mantinha relações diplomáticas com Taiwan e comerciais com a China.

O rompimento gerou uma reação imediata de rechaço em Taiwan. "Condenamos energicamente Pequim por ter manipulado a chamada política de 'uma só China' para seguir socavando o espaço internacional de Taiwan", indicou a presidência em Taipé.

"Este tipo de ação não é somente uma ameaça aberta à sobrevivência e ao bem-estar do povo taiwanês, como também uma provocação aberta à paz e à estabilidade no estreito de Taiwan e na região", acrescentou o governo.

A China é o segundo país que mais utiliza o Canal do Panamá, atrás apenas dos Estados Unidos. No último ano fiscal, Pequim transportou por esta via interoceânica 38 milhões de toneladas de carga, o que representa 18,9% do total.

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