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Grupo de judeus ortodoxos fazem ato pedindo o "desmantelamento pacífico" do estado de Israel, em Nova York, em 28 de julho de 2014

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O apelo do presidente Barack Obama por um cessar-fogo "imediato e sem condições" em Gaza afetou as relações já tensas entre Estados Unidos e Israel e colocou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em uma situação delicada com os extremistas de seu governo.

Os analistas interpretaram como um ultimato o pedido feito no domingo pelo presidente dos Estados Unidos ao premiê israelense, após as três semanas de recrudescimento no conflito entre Israel e o Hamas, com cerca de 1.070 palestinos mortos na Faixa de Gaza.

Segundo a rádio militar, Obama telefonou para o líder israelense para fazer seu "pedido", quando Netanyahu presidia uma reunião do gabinete de segurança que teve de ser interrompida. Ao final da conversa, o gabinete voltou a se reunir, mas sem tomar qualquer decisão.

Em 8 de julho, Israel lançou uma ofensiva militar de envergadura destinada a acabar com os disparos de foguetes contra seu território e a aniquilar a capacidade militar do Hamas palestino no poder em Gaza.

Durante toda a semana passada, o secretário de Estado americano, John Kerry, tentou em vão obter um acordo para acabar com o banho de sangue, no âmbito de uma missão especial na região.

Por mais esse atrito com Washington, os analistas israelenses responsabilizaram Kerry, acusando-o de incompetência.

- Ataques contra Kerry -

Kerry é criticado por ter transmitido, na sexta-feira, um "documento pró-Hamas" ao governo israelense sobre um cessar-fogo em longo prazo. O plano foi rejeitado por unanimidade pelo gabinete de segurança.

"É um amigo de Israel, mas com amigos assim é preferível, às vezes, negociar com seus inimigos", ironizou Nahum Barnéa, o editorialista estrela do jornal "Yediot Aharonot".

Segundo ele, "o governo americano se colocou do lado errado na guerra de Gaza. Tudo isso por causa das boas intenções de um único homem: John Kerry".

Entre outras gentilezas, o secretário de Estado foi classificado como um "elefante em uma loja de cristal" e um "amador que acha que é o único que pode solucionar os problemas do mundo apenas com sua presença".

O site de notícias Walla foi ainda mais longe, acusando-o de aplicar "a política da administração Obama que apoia a Irmandade Muçulmana", movimento ao qual o Hamas é ligado.

De acordo com o site, os Estados Unidos "cravaram um punhal nas costas de Hosni Mubarak", o presidente egípcio, fiel aliado de Washington derrubado do poder por uma revolta popular.

- 'Covardia' de Netanyahu -

Essas hostilidades diplomáticas transbordam para a cena política doméstica, e Netanyahu, que às vezes dá a impressão de ceder às pressões americanas, também não escapa das críticas - em particular dos "falcões" de seu governo, o que fragiliza sua maioria.

"Perdemos tempo, e nosso grande Exército não conseguiu terminar o trabalho. É uma pena", condenou o ministro israelense da Agricultura, Yair Shamir, filho do ex-premiê Yitzhak Shamir e membro do partido ultranacionalista Israel Beiteinu.

Para o ministro israelense da Habitação, Uri Ariel, um colono e dirigente do partido nacionalista-religioso Lar Judeu, Israel teve de realizar uma "operação muito mais rápida, mais dura, mais determinada para permitir ao Tsahal (Exército de Israel)" ganhar a batalha.

Criticando Netanyahu por ter cedido às pressões da Casa Branca, Ariel disse que "às vezes é preciso aceitar pagar um preço político quando a segurança dos israelenses está em jogo".

Ben Caspit, um outro editorialista influente, acusou diretamente o primeiro-ministro de "covardia", condenando-o por "não ter a coragem de levar" o Exército a desmilitarizar a Faixa de Gaza.

Segundo uma pesquisa, uma esmagadora maioria de 87% dos israelenses continua apoiando a ofensiva em Gaza, apesar da morte de 48 soldados e de dois civis israelenses. Esse é o pior balanço militar desde a guerra no Líbano em 2006.

AFP