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(8 jun) O relator Herman Benjamin

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O relator do julgamento sobre as eleições de 2014, Herman Benjamin, afirmou nesta sexta-feira que o sistema de propinas descoberto nesta campanha seria suficiente para a "cassação" da chapa, embora espere que a maioria dos juízes do TSE acabe absolvendo o presidente Michel Temer.

Na campanha de 2014, na qual foi reeleita a chapa Dilma-Temer, foram usados recursos de uma "propina gordura ou propina poupança na Petrobras", disse Benjamin ao iniciar o quarto e último dia de sessões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Ao meu ver, esse ilícito já bastaria para a cassação da chapa" vencedora em 2014, disse o juiz ao prefigurar o seu voto final no tribunal, composto por sete juízes.

Entretanto, analistas consideram que, com base nos posicionamentos dos debates preliminares, uma maioria estreita de quatro votos a três acabaria resultando em não cassar a chapa, o que daria um alívio ao presidente.

Temer está no centro de uma tempestade política desde que, há três semanas, foi revelada uma gravação em que parece dar o aval ao pagamento de propina para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

O presidente está sendo investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta corrupção, organização criminosa e obstrução da Justiça.

Com a possibilidade de debandada de sua base aliada e os crescentes pedidos de impeachment, Temer se declara inocente e se nega a renunciar.

Se for absolvido no TSE, o presidente terá ganho uma batalha, mas ainda não poderá cantar vitória.

Espera-se que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresente a qualquer momento uma denúncia contra Temer, o que poderá afastá-lo do cargo caso ela seja aprovada pela Câmara dos Deputados e validada pelo STF.

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