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Renasce expectativa de acordo sobre plano de alívio econômico nos EUA

(Arquivo) A senadora republicana Susan Collins afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. dezembro 2020 - 21:05
(AFP)

Um grupo de políticos republicanos e democratas apresentou nesta segunda-feira um plano no Congresso americano que faz renascer a expectativa de um acordo para oferecer ajuda a milhões de trabalhadores e pequenas empresas afetados pela pandemia, uma possibilidade classificada como "milagre de Natal".

O plano compreende US$ 908 bilhões para reativar uma economia fortemente atingida pela Covid-19 e inclui medidas para evitar despejos, empréstimos às pequenas e médias empresas e auxílio alimentar.

"Acredito que houve um milagre de Natal em Washington", declarou a senadora republicana Susan Collins, durante entrevista coletiva para apresentar o plano. O democrata Josh Gottheimer, outro congressista que promove a iniciativa, comemorou o projeto, apresentado no momento em que o país inicia a campanha de vacinação contra a Covid-19.

A série de medidas foi anunciada no começo do mês e apresentada hoje, após duas semanas de negociações para tentar fechar um acordo efetivo que supere o bloqueio nas negociações, em vigor desde julho.

A negociação acontece em um contexto de urgência, a menos de duas semanas de expirarem as últimas ajudas previstas em um grande plano de ajuda econômica aprovado pelo Congresso no início da pandemia, de cerca de US$ 2,2 trilhões.

- Proposta dividida em duas partes -

A bola passa, agora, para o campo dos líderes do Congresso, para que o projeto seja votado na Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, e no Senado, onde a bancada majoritária é republicana. "Imploramos aos responsáveis de ambas as partes que peguem o texto e o integrem", pediu o senador democrata Mark Warner durante a apresentação. Uma vez superado esse obstáculo, o texto deverá ser ratificado pelo presidente Donald Trump.

Apesar do avanço no diálogo, pontos de atrito persistem e o projeto foi dividido em duas partes. Uma delas contém os assuntos mais consensuais e abrange 748 bilhões de dólares, e a outra disposição inclui os temas mais espinhosos e envolve cerca de 160 bilhões de dólares.

Um tema que causa atrito entre os dois partidos é o da proteção jurídica das empresas, mas também de universidades e escolas, contra possíveis ações judiciais de funcionários ou alunos infectados pela covid-19. Os republicanos exigem que essa medida seja incluída no pacote, mas os democratas insistem que isso pode colocar os trabalhadores em risco e encorajar os empregadores a não tomarem medidas de proteção.

Os democratas também querem auxílios para os estados e governos locais, cujas receitas foram afetadas pela pandemia, o que pode resultar em mais demissões. Sem um acordo, milhões de pessoas ficariam sem nenhum tipo de renda em meio a uma crise que se prorroga e diante das incertezas geradas por uma doença que arrasa os Estados Unidos, país que superou hoje 300 mil mortos pela Covid-19.

O líder do Senado, Mitch McConnell, tem privilegiado medidas mais restritivas e orientadas a temas específicos por montantes inferiores, em torno de US$ 500 bilhões. Ante o recesso de fim de ano iminente, qualquer iniciativa será uma "cota inicial" antes da chegada ao poder do democrata Joe Biden, que lançou vários apelos para que o Congresso aprove um plano de auxílio para o país, que tem uma taxa de desemprego de 6,7%, quase o dobro de antes da pandemia.

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