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Os bebês cujos cérebros crescem mais rápido que a média durante seu primeiro ano de vida têm mais chances de ser diagnosticados com autismo

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Os bebês cujos cérebros crescem mais rápido que a média durante seu primeiro ano de vida têm mais chances de ser diagnosticados com autismo aos dois anos, e tal crescimento pode ser identificado em uma ressonância magnética, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira na revista científica Nature.

Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos e do Canadá realizou exames de ressonância magnética para estudar os cérebros de 106 bebês que tinham um irmão com distúrbios relacionados ao autismo - e, portanto, tinham alto risco de desenvolver a doença - e os de 42 bebês sem casos de autismo na família.

Os exames foram realizados entre os seis meses e os dois anos de idade.

O estudo encontrou um crescimento mais rápido da superfície do córtex cerebral aos seis e aos 12 meses de idade nos bebês do grupo de alto risco que foram diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) mais tarde, aos dois anos, em comparação com as crianças não afetadas.

Este aumento da superfície do córtex cerebral se traduziu depois em um crescimento maior do volume total do cérebro.

Os cientistas já sabiam que as crianças com TEA costumam ter o cérebro mais volumoso que a média, mas ainda não havia sido estabelecido em que idade esta diferença aparece.

O autismo pode ser diagnosticado a partir dos dois anos de idade, que é quando os problemas comportamentais e de comunicação começam a se tornar evidentes.

Intervenção "pré-sintomática"

Com base em suas descobertas, a equipe desenvolveu um algoritmo de computador para prever, com uma precisão de cerca de 80%, quais crianças irão desenvolver TEA.

"Nosso estudo mostra que biomarcadores do desenvolvimento precoce do cérebro poderiam ser muito úteis na identificação de bebês com maior risco de autismo antes dos sintomas comportamentais aparecerem", disse o autor sênior do estudo Joseph Piven, da Universidade da Carolina do Norte.

Tal teste pode ser útil para intervir "pré-sintomaticamente", em uma idade em que o cérebro humano é mais maleável, disse uma declaração da universidade.

"Essas intervenções podem ter uma maior chance de melhorar os resultados do que os tratamentos iniciados após o diagnóstico", acrescentou.

É necessário realizar pesquisas adicionais e em maior escala antes de que as ressonâncias magnéticas possam ser usadas como uma ferramenta clínica para a detecção precoce do autismo, advertiram os pesquisadores.

O TEA é um grupo de transtornos do desenvolvimento cerebral que inclui condições como o autismo e a síndrome de Asperger, todos caracterizados por dificuldades de interação social e comunicação.

Os afetados geralmente apresentam comportamentos repetitivos, enquanto alguns se destacam em habilidades não verbais, como a matemática.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de uma em cada 160 crianças tem TEA.

Não há cura para o TEA, mas os problemas podem ser atenuados através da realização de um tratamento precoce adequado, e por isso é importante estabelecer um diagnóstico o quanto antes.

AFP