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Humberto de la Calle, chefe da delegação colombiana para os diálogos de paz, em Havana, no dia 21 de maio de 2015

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Os diálogos de paz sobre a Colômbia foram retomados nesta quinta-feira, em Havana, com uma homenagem dos delegados do governo a uma menina indígena morta na véspera na explosão de uma mina, enquanto se prepara o início de um programa de retirada destes explosivos.

"De Havana, enviamos uma mensagem de solidariedade à família da menina Ingrid Guejía Guecio, de 7 anos, morta pela explosão de uma mina", declarou à imprensa o chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, que pediu à guerrilha comunista das Farc que pare de plantar estes explosivos.

"Chegou a hora de que as Farc assumam o compromisso de não instalar mais nenhuma mina. É um paradoxo que, quando o programa piloto (de retirada de minas) começa, ocorra este fato que comove os colombianos e que merece a condenação mais veemente", acrescentou.

De la Calle e os outros três delegados "plenipotenciários" do governo que acompanham o processo - Sergio Jaramillo, Jorge Mora e María Paulina Riveros - arregaçaram as calças ao entrar para dialogar com os representantes das Farc em sinal de solidariedade com a menina falecida, um gesto tradicional na Colômbia com as vítimas de minas plantadas durante o conflito armado de meio século no país.

"Esta é uma verdadeira tragédia humanitária. Temos que limpar o território colombiano. Como se sabe, o Estado colombiano eliminou a utilização de minas há décadas", disse De la Calle.

As duas partes selaram, em 7 de março, um acordo histórico para retirar as minas presentes em mais da metade dos municípios colombianos e um plano piloto de retirada será implantado em breve, a cargo de uma agência especializada norueguesa.

A menina morreu na quarta-feira, ao pisar em uma mina perto de sua escola. Desde 1990, mas minas deixaram na Colômbia 11.000 vítimas, entre mortos e feridos, segundo o governo.

Farc: "novos gestos de desescalada"

As Farc, que negociam o fim do conflito com o governo desde novembro de 2012, não responderam às perguntas da imprensa, mas sua delegada, Victoria Sandino, disse que a guerrilha procura dar dinamismo à retirada das minas.

"Nossa disposição se mantém inalterada para avançar em conjunto com o governo colombiano na produção de novos gestos de desescalada do conflito, que imprimam dinamismo ao compromisso conjunto de descontaminação do territórios de artefatos explosivos", afirmou.

Dois comandantes das Farc que participam das negociações, Carlos Antonio Lozada e Pastor Alape, acabam de voltar da Colômbia, aonde viajaram para explicar os detalhes de retirada de minas às forças rebeldes, disse uma fonte da guerrilha à AFP.

Sandino divulgou, ainda, três propostas para acelerar os diálogos de paz, uma aspiração do presidente Juan Manuel Santos, entre elas que os negociadores iniciem de imediato a "análise do informe da Comissão Histórica do Conflito", preparado há meses por 12 acadêmicos.

As outras propostas são a criação de uma comissão de "esclarecimento do fenômeno do paramilitarismo" e outra comissão "da verdade e não repetição" dos atos de violência.

O governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha do país, acordaram até agora três dos seis pontos da agenda, além da retirada das minas.

O conflito colombiano deixou 220.000 mortos e seis milhões de deslocados, segundo cifras oficiais.

Nesta rodada de 11 dias de conversações, a trigésima sétima, as partes continuarão discutindo sobre a reparação das vítimas do conflito.

AFP