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Modelos posam para um editorial da revista "A Nasty Boy", em Lagos, no dia 22 deagosto de 2017

(afp_tickers)

Em um país onde a homossexualidade pode ser punida com até 14 anos de prisão, Richard Akuson decidiu desafiar as normas estabelecidas na Nigéria criando a revista "A Nasty Boy" (Um garoto safado, em tradução livre), onde analisa a masculinidade e a questão de gênero.

A revista, lançada em fevereiro, levou Akuson, de 23 anos, a uma fama que não parou de crescer nos últimos meses.

Tudo começou com um short justo.

"Um dia, encarei o desafio de passear um dia inteiro pelas ruas de Abuja [a capital federal] vestido com um short de seda", conta à AFP. "As pessoas me olhavam feio, me insultavam abertamente. Foi uma experiência bastante dolorosa", lembra.

Assim, decidiu relatar sua experiência em Bella Naija, a maior revista de fofoca da Nigéria, onde trabalhava então como redator chefe da seção de Moda.

Sua publicação "Porque decidi passear por Abuja com short justo" causou um grande alvoroço: os comentários não demoraram a chegar, tanto para tentar fazê-lo voltar à razão quanto para parabenizá-lo por sua atitude provocadora.

"Vi as reações, e pensei que havia um verdadeiro debate a ser iniciado para analisar nossa masculinidade", explica Akuson.

"O homem nigeriano deve proteger, sem cessar, isso que nossa sociedade define como masculinidade: não chorar, ter um ego muito, muito grande, pouca compaixão e muito dinheiro. Paradoxalmente, penso que isso é o que faz com que [os homens aqui] sejam muito frágeis e tão rígidos com os demais", afirma, satisfeito de não fazer parte da maioria.

- Andróginos -

Akuson, conhecido como "Richie", organizou uma sessão de fotos em um hotel um pouco afastado de Lagos, a megalópole econômica e cultural do oeste da África.

Com seus quatro modelos andróginos, dois homens e duas mulheres, o redator chefe quer "transgredir os gêneros".

"Abstrakt, o que você achar de colocar um vestido?", pergunta.

E embora Abstrakt, de 21 anos, não goste que lhe rotulem e use uma camiseta com a frase "Na verdade não sou normal" estampada, a ideia de colocar uma saia não parece entusiasmá-lo.

Ainda assim, faz isso "pela moda" que causa furor em Lagos há alguns anos, assegura. E também para dar um pontapé nos convencionalismos.

- Controvérsia -

"Adoro a controvérsia, sempre fui rebelde", explica Ajoke Animashaun, estudante de Direito e modelo. "Na Nigéria, somos muito conservadores. As meninas devem estar sempre bem vestidas, com as unhas feitas (...) pois veja só, eu não!", diz, divertida.

E embora a falta de manicure possa parecer um mero detalhe, em Lagos se trata de um ato feminista quase revolucionário.

As fotos publicadas na revista on-line, que passará para o papel em alguns meses, são desconcertantes em um país onde tudo que é relacionado à homossexualidade, à bissexualidade ou à mistura de gêneros é visto como uma abominação do ponto de vista religioso.

Homens maquiados posam em uma praia de Lagos, com um olhar que transpira sensualidade. Em outro artigo, homens como perucas afro e sapatos de salto alto levantam sua minissaia jeans.

"Nasty Boy oferece a oportunidade de mostrar uma faceta do que somos", indica o jovem Wole Lawal, modelo profissional de 22 anos com voz grave, com o rosto cheio de purpurina e uma calça larga colorida.

"Isso nos permite imaginar, por um momento, o que implica ser mulher. E, devo dizer, (...) realmente não parece fácil", afirma.

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AFP