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(2013/Ilustração) O robô Philae sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

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O pequeno robô europeu Philae, que despertou neste fim de semana após sete meses de letargia pousado sobre o cometa Churyumov, retomará aos poucos sua atividade científica, conforme seu anfitrião se aproximar do Sol, escoltado pela sonda Rosetta.

Espera-se que o trio alcance grandes avanços no conhecimento dos cometas. O objetivo da missão da Agência Espacial Europeia (ESA) é compreender melhor a evolução dos sistema solar desde seu nascimento, já que os cometas são considerados vestígios da matéria primitiva.

"No momento tentamos melhorar a comunicação com Philae, ainda não pensamos muito na ciência", reconheceu nesta segunda-feira à AFP Philippe Gaudon, chefe do projeto Rosettta na CNES, a agência espacial francesa, baseada em Toulouse.

"Para poder começar a fazer ciência, serão necessários alguns dias, talvez uma semana", afirmou Álvaro Giménez, diretor da exploração científica e robótica da ESA em uma coletiva de imprensa no Salão aeronáutico de Le Bourget, perto de Paris.

Dotado de 10 instrumentos, este robô-laboratório, que entrou para a história no dia 12 de novembro ao aterrissar no núcleo de um cometa, trabalhou durante 60 horas antes de dormir pela insuficiência de luz, necessária para recarregar as baterias solares que lhe permitem funcionar.

Desde então não havia dado sinais de vida, até que no sábado à noite conseguiu contactar durante dois minutos Rosetta. Na noite seguinte contactou novamente a sonda, desta vez pelo dobro do tempo, entre as 21h22 GMT e as 21h26 GMT, disse Gaudon.

"Os dados recebidos durante o segundo contato confirmaram que Philae se encontra em boas condições e pronto para funcionar", indicou em um comunicado Stefan Ulamec, responsável pelo setor de aterrissagem para a agência alemã DLR.

"A vida é bela" sobre o cometa, tuitou Philae em sua conta animada pela ESA. "Recebo três horas de luz ao dia e me sinto novo".

"Desta vez, o Philae nos enviou menos dados, mas mais recentes", indicou o responsável pela missão Rosetta.

O cometa gira sobre si mesmo a cada 12 horas e 40 minutos, o que, em teoria, deve permitir que o robô se comunique duas vezes por dia terrestre. Mas também depende da posição da sonda, já que é ela que recupera os sinais de Philae para retransmiti-los à Terra.

"Não recebemos os dados de forma regular nem em grande quantidade, provavelmente porque Philae está longe de Rosetta", disse à AFP Mark McCaughrean, conselheiro científico da ESA.

- Mudar o plano de voo -

A sonda, que lançou o módulo sobre o cometa 67P/Churyoumov-Guerasimenko após dez anos de viagem pelo espaço, encontra-se atualmente a 180 quilômetros dele.

Rosetta permanece a uma distância prudente, já que o cometa lança cada vez mais gás e poeira à medida que se aproxima do sol. No momento, Churyumov encontra-se a 210 milhões de quilômetros do astro rei e alcançará seu ponto de proximidade máxima em 13 de agosto.

Para melhorar a comunicação entre Philae e Rosetta, a sonda deverá modificar rapidamente seu plano de voo, e a sonda se aproximará um pouco do cometa, afirmou Gaudon. Os responsáveis da Rosetta estão estudando esta possibilidade.

De qualquer forma, "enquanto não tivermos 15 minutos de comunicação com ele, não poderemos enviar ordens para que faça trabalho científico", explicou Gaudon.

Philae começará com tarefas simples, como medir a temperatura ou o número de elétrons do solo e nos gases; posteriormente tirará imagens e, mais adiante, espera-se que possa perfurar o núcleo do cometa para encontrar partículas orgânicas com um papel potencial no surgimento de vida na Terra.

Em novembro, o robô, que está preso entr dois penhascos com uma de suas três pernas no ar, tentou fazer uma perfuração sem êxito. "Vamos ver se podemos movê-lo um pouco", explicou Mark McCaughrean.

AFP