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(Arquivo) A companhia aérea low cost irlandesa Ryanair

(afp_tickers)

A Ryanair está enfrentando uma mobilização inédita de seus pilotos, insatisfeitos com o modelo de gestão, apenas um mês depois de protestos de passageiros indignados por uma série de voos cancelados.

O cancelamento de milhares de voos da companhia aérea "low cost" provocou protestos intensos. Mas também é um sintoma do mal-estar menos alardeado, porém persistente, das tripulações da maior transportadora de passageiros da Europa.

Como a empresa que não reconhece nenhum sindicato, diversos pilotos manifestaram através das redes sociais há semanas seu descontentamento com uma direção acusada de desprezá-los e com a qual querem dialogar.

A AFP entrou em contato com vários pilotos, alguns trabalhando na Ryanair, outros que já deixaram a empresa, beneficiados pela grande demanda mundial de aviadores.

"Claramente, há uma hemorragia de pilotos. Vão embora porque estão fartos de serem tratados como números", disse à AFP, sob condição de anonimato, um ex-copiloto na Ryanair, recentemente contratado por outra companhia, denunciando "um regime de terror por parte da direção".

O diretor-geral da companhia, o controverso Michael O'Leary, explicou os cancelamentos de voos por causa de um "planejamento" de férias. Contudo, segundo o copiloto, "o problema estava encubado, e uma simples chama acendeu a pólvora".

Questionada pela AFP, a direção da empresa nega as "acusações mentirosas", e destaca que representantes de pessoal são eleitos nas 86 bases em que os aviões da Ryanair opera, com o objetivo de negociar "sem temor" de represálias.

Contudo, o uso desses Comitês de Representação de Pessoas (ERC) como interlocutores exclusivos da direção é muito contestado.

Os pilotos ativos no site Aviation Professionnals Unite garantiram ter enviado ao chefe da Ryanair uma carta de 60 ERC reclamando a criação de uma instância pan-europeia, que represente o conjunto de pilotos. A direção criticou a "carta anônima", "enviada por pilotos dos sindicatos da concorrência".

A Ryanair destaca ter proposto melhoria das remunerações na casa de milhares de euros anuais e que seus pilotos ganhariam "20% mais que os das concorrentes", Jet2 e Norwegian.

- Direção odiada -

Contudo, além dos salários, os pilotos insistem nas dificuldades das condições e relações de trabalho na empresa.

"O problema não é financeiro para a maioria dos pilotos. É sobretudo o sistema, que gera fadiga e desmotivação", explica um experiente comandante da Ryanair, que ganha 5.400 euros líquidos ao mês. Dois ERC, entretanto, recusaram as propostas da direção.

Como outros, este comandante denunciou um sistema de dois níveis para os 4 mil pilotos: de um lado, aqueles contratados diretamente em seus países de base, do outro, os recrutados como "empresários", usando estruturas jurídicas "ad-hoc" do Direito irlandês.

A Ryanair garante que faz o mesmo que as "low cost" concorrentes, mas o piloto denuncia uma "barbárie social", que prospera nas "zonas cinzas do sistema europeu". Os pilotos "empresários" não têm cobertura médica, nem aposentadoria como seus colegas do primeiro grupo.

Todos os entrevistados denunciaram à AFP os atritos constantes entre administração, que é detestada, e funcionários - sejam eles pilotos, recepcionistas, pessoal de solo ou administrativo.

Todos os pilotos pediram o anonimato, exceto Imelda Comer, uma comandante que era baseada em Dublin, mas abandonou a empresa há uma década e se ofereceu para ser interlocutora.

Em carta a O'Leary, Comer escreveu que "as ofertas que (a Ryanair) faz não foram negociadas com ninguém, não respondem às inquietações, levam à confusão e não se aplicam a todos os pilotos".

A direção disse que não vai responder "cartas de uma piloto que se demitiu".

"Todos os pilotos são livres para deixar a Ryanair se assim quiserem", respondeu a companhia. "Recrutamos 910 pilotos desde o começo de 2017 e temos 2.500 pilotos qualificados na lista de espera", afirma.

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AFP