Entenda as eleições presidenciais antecipadas na Tunísia, que acontecem em 15 de setembro:

- Quem é candidato? -

Das 98 candidaturas apresentadas, 26 foram validadas pela instância independente eleitoral, o mesmo número que em 2014.

Três dos candidatos foram primeiros-ministros, incluindo o atual chefe de governo, Yusef Shahed. Oito deles, incluindo Shahed, foram membros, ou próximos do partido vitorioso em 2014, Nida Tunes.

Essa sigla heterogênea, reunida sob um rótulo anti-islamita, foi dizimada por lutas pelo poder e não apresenta nenhum candidato, limitando-se a apoiar o ministro da Defesa, Abdelkarim Zbidi.

Há duas mulheres na disputa: a advogada anti-islamita Abir Musi e a ex-ministra Salma Elumi. O partido de inspiração islamita Ennahdha se apresenta pela primeira vez à magistratura suprema, com a candidatura de Abdelfatah Muru, presidente interino do Parlamento, um partidário da abertura do movimento.

- Quem tem chance de ganhar? -

Todas as possibilidades estão abertas, já que a incerteza reina a poucos dias da votação.

A instância superior independente proibiu a publicação de pesquisas, mas, segundo os estudos que circulam, o favorito é o polêmico magnata da comunicação Nabil Karui. Ele está preso desde 23 de agosto.

Após uma investigação por lavagem de dinheiro decorrente de uma denúncia apresentada em 2016, Karui foi detido. A prisão aconteceu logo antes do início da campanha, levando muitos observadores a denunciarem uma instrumentalização da Justiça.

Vários candidatos parecem estar lado a lado na disputa, entre eles Shahed, Zbidi e Muru. Mussi, junto com um acadêmico conservador, novo na política e sem apoio partidário, Kais Saied, podem surpreender. Os eleitores estão muito indecisos, o que torna qualquer previsão arriscada.

- Quem vota? -

Serão as segundas eleições presidenciais por sufrágio universal desde a revolução de 2011. Dos 8,9 milhões de tunisianos em idade de votar, mais de 7 milhões estão inscritos na Justiça eleitoral.

Trata-se de uma conquista sem precedentes, graças a uma enérgica campanha da instância encarregada de organizar as eleições, a ISIE, que inscreveu 1,5 milhão de novos eleitores, em particular mulheres e jovens.

Entretanto, a abstenção, que se situava em 35% em primeiro turno em 2014, foi muito forte nas últimas eleições, chegando a 65% nas eleições municipais de meados de 2018.

- Quando se saberá o nome do próximo presidente? -

As eleições presidenciais, inicialmente previstas para 17 de novembro, foram antecipadas para 15 de setembro, devido ao falecimento do presidente Beji Caid Essebsi, em 25 de julho.

A Constituição concede 90 dias ao ex-presidente da Assembleia Nacional e presidente interino, Mohamed Ennaceur, para organizar as eleições.

A data do segundo turno será divulgada após o primeiro e acontece em um domingo antes de 25 de outubro. Segundo a ISIE, poderá acontecer em 6 de outubro, dia das legislativas, 13 de outubro, ou 20 de outubro. Os resultados serão conhecidos nos dias seguintes, e a passagem de poder acontecerá nas próximas semanas.

- O que pode mudar? -

A Tunísia tem um regime parlamentar misto e, em tese, as prerrogativas do presidente são limitadas, essencialmente, aos âmbitos da defesa e da diplomacia, mesmo que seja o garantidor da Constituição e que possa apresentar projetos de lei ao Parlamento.

O presidente Essebsi foi além em várias ocasiões e pediu o fortalecimento das prerrogativas presidenciais. Vários candidatos se mostraram a favor, embora a Tunísia tenha vivido durante dezenas de anos os desvios de um regime presidencial sem contrapeso. O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais terá, provavelmente, repercussões nas legislativas, que vão traçar a nova paisagem política tunisiana.

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