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Juan Manuel Santos assume pela segunda vez a Presidência da Colômbia, em 7 de agosto de 2014, em Bogotá

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Juan Manuel Santos assumiu nesta quinta-feira pela segunda vez a Presidência da Colômbia, para a qual foi reeleito com a promessa de alcançar a paz com as guerrilhas de esquerda em um país assolado por um conflito armado de mais de 50 anos.

"Juro a Deus e prometo ao povo cumprir fielmente a Constituição e as leis da Colômbia", disse o político de centro-direita, que ganhou com 50,6% dos votos e o apoio da esquerda, na cerimônia de posse que começou às 15h00 locais (17h00 de Brasília) no Patio de Núñez, situado entre o Congresso e a Casa de Nariño (palácio do governo), no centro de Bogotá.

"Unidos, queremos a paz, porque a Colômbia quer a paz", cantavam crianças vestidas de branco, enquanto Santos e sua família caminhavam sobre o tapete vermelho para a tribuna.

Centenas de convidados, entre eles os presidentes do Equador, Rafael Correa, e do México, Enrique Peña Nieto, e o rei emérito da Espanha, Juan Carlos I, acompanharam o ato em um ambiente adornado com bandeiras gigantes da Colômbia, debaixo de guarda-sóis brancos para se protegerem do forte sol.

A principal ausência foi a do ex-mentor de Santos, o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), atual senador da oposição, que esteve no início da sessão de juramento no Congresso, mas se retirou junto a sua bancada antes da chegada de Santos.

"A bancada do Centro Democrático não participa da posse do presidente da República, doutor Juan Manuel Santos Calderón, pelos abusos de poder em sua eleição e pela participação de representantes de Nicolás Maduro", disse Uribe a jornalistas, referindo-se ao presidente da Venezuela, que deu seu apoio ao processo de paz.

Santos, eleito pela primeira vez há quatro anos após liderar a maior ofensiva contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas), quando era ministro da Defesa de Uribe, tornou-se o grande defensor das negociações de paz com essa guerrilha, a principal do país com cerca de 8.000 combatentes.

Além das negociações com as Farc, realizadas em Cuba, Santos anunciou, pouco antes de sua reeleição em 15 de junho, o início de diálogos exploratórios pela pacificação do Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo rebelde da Colômbia, com 2.500 integrantes.

- Advertência às Farc -

A paz é a maior obsessão deste economista liberal formado em Londres e idealizador de acordos de livre comércio com Estados Unidos, Ásia e Europa, pois está convencido de que acabar com a guerra interna permitirá maiores investimentos sociais em um país onde mais de 32% de seus 47,7 milhões de habitantes vivem na pobreza.

Prestes a completar 63 anos, Santos almeja chegar a um histórico fim da violência na Colômbia e ser o presidente que reduziu a desigualdade social.

"No Congresso, a partir de hoje, iniciaremos a legislatura da paz", disse o presidente da instituição, José David Name, após colocar a faixa presidencial em Santos.

Mas o caminho não será fácil.

Nos últimos dias, a guerrilha cometeu ataques que causaram a morte de civis e danos ambientais e à infraestrutura, o que motivou uma advertência de Santos. "Estão brincando com fogo", disse.

"Os episódios de violência das últimas semanas são uma contradição inaceitável que comprometem o próprio processo", disse Santos durante o discurso de posse.

Em entrevista divulgada nesta quinta-feira no site do jornal americano Washington Post, Juan Manuel Santos descartou eventuais julgamentos contra todos os guerrilheiros das Farc - pois "levaria cem anos" - e esclareceu que só serão condenados os principais líderes.

"Você tem que escolher os principais responsáveis; serão julgados e condenados aqueles que realmente estão por cima e são responsáveis" por crimes, acrescentou.

As conversas de paz são realizadas sem um cessar-fogo, que, segundo Santos, pode fortalecer os rebeldes.

Ao lado da pacificação, Santos terá outros desafios urgentes para superar a desigualdade na Colômbia, que vive um de seus melhores momentos econômicos. Embora tenha fechado 2013 com um crescimento de 4,7%, o país ainda sofre em áreas como saúde, educação e justiça.

AFP