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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, discursa em Santa Fé de Antioquia, no dia 3 de setembro de 2015, em foto cedida pela Presidência da Colômbia

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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, desqualificou nesta quarta-feira qualquer comparação entre o fluxo de colombianos para a Venezuela e o de africanos que chegam à Europa todo ano, referindo-se a recentes comentários do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

"O governo venezuelano agora está comparando a chegada de colombianos à Venezuela com o êxodo de africanos para a Europa. Isso é absurdo, que argumento tão ridículo", criticou Santos, em entrevista transmitida pela televisão.

Com isso, ele rejeitou a acusação de Maduro sobre um suposto "êxodo humanitário em massa" de colombianos para seu país.

"Que êxodo? Se houver muitos colombianos na Venezuela, como quatro, ou cinco milhões, que estão ali há muito tempo, mas não é que esteja tendo neste momento", acrescentou, falando da Casa de Nariño.

Santos lembrou que, há pelo menos três décadas, "muitos colombianos emigraram para a Venezuela buscando um futuro melhor", mas, agora, já não é "um país tranquilo, rico, com oportunidades para estrangeiros", como era no passado.

"Hoje, são milhares os venezuelanos que vêm para a Colômbia (...) Muitos fogem da insegurança, do alto custo de vida, da escassez, e vêm em busca de liberdade, de respeito à individualidade, ao direito a ser e a pensar diferente, a discordar", insistiu.

"A revolução bolivariana está se autodestruindo", completou.

Em 1º de setembro, Maduro denunciou que foi deflagrada uma "emergência humanitária" no país, fruto do "êxodo humanitário em massa da Colômbia para a Venezuela" desde a década de 1950, apenas comparável, segundo ele, ao êxodo de africanos e asiáticos para a Europa. Maduro estimou em cerca de 5,6 milhões o número de colombianos residentes na Venezuela.

A crise entre Colômbia e Venezuela começou em 19 de agosto, quando Caracas ordenou o fechamento de parte da fronteira de mais de 2.200 km que separa os dois países. A tensão aumentou quando ambos os países convocaram os respectivos embaixadores para consulta.

Desde então, cerca de 20.000 colombianos, entre deportados e os que fugiram por medo da deportação, retornaram da Venezuela, segundo a ONU.

Santos admitiu, nesta quarta-feira, a existência de violência e narcotráfico na fronteira, mas que não se trata de um problema exclusivo da Colômbia.

"Que o governo venezuelano investigue quem controla o contrabando de lá para cá", afirmou, insistindo "no diálogo e na diplomacia" para resolver a polêmica, mas sem "desrespeito", "insultos", "palhaçadas" e "mentiras".

"Quando nós abrimos a porta do diálogo, a resposta do presidente Maduro é fechar ainda mais a fronteira", criticou, referindo-se ao novo bloqueio limítrofe decidido na segunda-feira por Caracas e ao envio de 3.000 militares na zona.

AFP