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O premier britânico, David Cameron

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A Scotland Yard se esforçava nesta quinta-feira para identificar o homem encapuzado que se apresentou como o carrasco de James Foley, e que seria um dos muitos britânicos recrutados pelo Estado Islâmico (EI), percebido por Londres como "um perigo para a segurança nacional".

Os meios de comunicação não tinham palavras fortes o suficiente para expressar sua repulsa após a publicação de um vídeo do EI que mostra a decapitação do jornalista americano por um homem mascarado com sotaque inglês -chamado de "açougueiro", "maníaco" ou "fanático"- e que é "provavelmente britânico", como afirmado pelo primeiro-ministro David Cameron.

"Eles vão acabar identificando o homem e podem esperar a ajuda de parentes", assegurou nesta quinta-feira Richard Barrett, ex-chefe de contraterrorismo dos serviços de inteligência MI6.

Prendê-lo na Síria ou no Iraque, dois países assolados pela guerra, e trazê-lo à justiça pode ser, no entanto, muito mais difícil, acrescentou o especialista, em entrevista à BBC Radio Four. Contudo, se não for morto em combate, ele vai inevitavelmente ser apreendido "em um momento ou outro", previu.

A polícia e os serviços de inteligência dispõem de ferramentas de reconhecimento facial e vocal ultrassofisticados para tentar atribuir um nome ao executor.

Uma lista de 400 a 500 nomes

Eles também possuem um arquivo com os nomes de entre 400 a 500 britânicos que lutam no Iraque e na Síria, segundo as autoridades.

Entre as pessoas em causa estão jovens que apareceram abertamente em vídeos de propaganda recentes e de recrutamento do EI.

Shiraz Maher, do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização (ICSR) do Kings College London, considera que o grupo tem muitos dos "mais sangrentos e ferozes" recrutas.

No entanto, vários especialistas advertiram contra conclusões precipitadas, como parte da investigação sobre o suposto assassino de James Foley.

Richard Barrett observa que o vídeo tinha a intenção de inspirar o terror e foi realizado de "uma forma um tanto teatral."

Ele foi editado profissionalmente, com cortes, sonorização, muitas ações que servem a encenação e que permitem a manipulação.

Especialistas também afirmam que a voz com sotaque inglês daquele que pronuncia a sentença de morte do jornalista poderia ser dublagem, e pertencer a um homem que não o executor.

As autoridades decidiram, em um primeiro momento, ignorar essas considerações, para enfatizar que o envolvimento de um britânico - qualquer que seja - em um tal ato é revoltante.

Em sua tentativa de compreender o fenômeno, a fim de combatê-lo, as autoridades concordam que é particularmente difícil estabelecer um retrato dos jovens combatentes, com suas diferentes motivações. Eles são religiosos, revelam um desejo de maior justiça, expressam um desconforto ou uma rejeição à sociedade ou ainda um desejo de aventura.

Os interessados vêm de todo o país, das periferias pobres, como Luton em Londres, passando por cidades da região, como Manchester, Cardiff ou Portsmouth.

Além disso, apresentam níveis muito variados de educação, de analfabetos até jovens estudantes.

Nesta galeria, o mais jovem seria Jaffar Deghayes, de 16 anos, originário de Brighton.

Abdul Waheed Majeed, seria, por sua vez, o primeiro homem-bomba britânico morto na explosão do caminhão-bomba que dirigia na Síria. Originalmente de West Sussex, ele tinha 41 anos e era pai de três filhos.

Vários jornais recordaram a advertência de Nasser Muthana, de 20 anos, que deixou Cardiff e a faculdade de medicina para ir combater na Síria, acompanhado de seu irmão mais novo, de 17 anos.Posando ao lado de uma bomba em um vídeo de propaganda, ele disse: "Então, o Reino Unido está com medo. Eu voltarei armado com tudo aquilo que aprendi".

AFP