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Pessoas próximas a flores, velas e outros itens em homenagem às vítimas de Las Ramblas, em Barcelona, em 20 de agosto de 2017

(afp_tickers)

A célula terrorista que atacou a Catalunha preparava bombas e tinha escrito um bilhete assumindo a autoria de um atentado, quando uma detonação acidental os deixou sem explosivos e matou dois de seus supostos integrantes.

Os outros membros do grupo improvisaram um plano rudimentar e nas horas seguintes lançaram ataques em zonas turísticas de Barcelona e Cambrils, outra localidade costeira da Catalunha, usando veículos como armas letais.

Segue a reconstrução dos ataques, segundo documentos judiciais, autoridades e entrevistas feitas pela AFP.

- Abril de 2017 -

A célula extremista se instala em uma casa de Alcanar, a 200 quilômetros de Barcelona.

Uma vizinha, a francesa Martine Groby, explica à AFP que eram "discretos, muito discretos. Ficavam com as janelas fechadas, não havia música, crianças ou mulheres".

- Terça-feira, 1º de agosto/quarta-feira, 2 de agosto de 2017 -

Os suspeitos compram pelo menos 500 litros de acetona e outros ingredientes para fabricar explosivos.

- Quarta-feira, 16 de agosto -

Dois dos suspeitos, Driss Oukabir, de 28 anos, e Mohamed Hichamy, de 24 anos, alugam cada um uma van.

20H25 locais (15H25 de Brasília)

Os suspeitos compram 15 capas de travesseiros, braçadeiras, e alguns componentes metálicos para selar explosivos.

Já têm tudo o que precisam para fabricar as bombas.

23H30 (18H30)

Martine Groby tira a mesa do jantar quando uma explosão na casa vizinha a joga no chão. "A nuvem em forma de cogumelo que se produziu depois da explosão" foi visível "a quilômetros de distância", segundo um documento judicial.

Três membros da célula estavam na casa. Morrem o imã marroquino, Abdelbaki Es Satty, figura considerada chave porque suspeita-se que tenha radicalizado os jovens, e o acredita-se que o segundo fosse Youssef Aalla, embora os restos mortais ainda precisem ser identificados.

O terceiro homem, Mohamed Houli Chemlal, sobrevive à explosão porque estava na varanda da casa.

- Quinta-feira, 17 de agosto -

12H58 (07H58)

Mohamed Hichamy aluga uma van Renault Kangoo.

15H25 (10H25)

Uma van Renault Kangoo conduzida por Mohamed Hichamy se choca com outro veículo em uma estrada perto de Cambrils. O motorista do veículo diz que vai ligar para a Polícia e Hichamy pula a barreira da estrada para se afastar, abandonando a van.

16H00 (11H00)

A polícia limpa os escombros da casa em Alcanar, quando acontece uma segunda explosão. Seis policiais e dois bombeiros, assim como o operador de uma escavadeira, ficam feridos.

16H50 (11H50)

Uma van branca percorre a toda velocidade 700 metros da área de pedestres de Las Ramblas, a mais turística das avenidas em Barcelona. Treze pessoas morrem e mais de 120 ficam feridas.

Ao volante do veículo está Younes Abouyaaqoub, de 22 anos. Depois do percurso, desce da van e foge pelo popular mercado de La Boquería.

18H10-18H20 (13H10-13H20)

Abouyaaqoub caminha seis quilômetros e chega à Universidade de Barcelona. Assassina Pau Pérez para roubar seu carro. Coloca o corpo na parte de trás do veículo e foge dirigindo. Ultrapassa um posto de controle policial, ferindo um agente. Os outros policiais abrem fogo contra o carro, mas ele escapa.

19H45 (14H45)

Agentes examinam o Ford Focus abandonado em Sant Just Desvern, nos arredores de Barcelona. Encontram o cadáver e, a princípio, acreditam que morreu pelos disparos. Depois se dão conta de que foi esfaqueado.

21H50 (16H50)

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindica o atentado em Las Ramblas.

23H00 (18H00)

O chefe da Mossos d'Esquadra, a Polícia catalã, Josep Lluís Trapero, anuncia que a explosão de Alcanar está ligada ao atentado em Las Ramblas.

Driss Oukabir e Salh El Karib são detidos em Ripoll (norte da Catalunha), e Mohamed Houli Chemlal no hospital onde se recupera dos ferimentos sofridos na explosão.

- Sexta-feira, 18 de agosto -

01H15 (20H15 de quarta-feira)

Cinco indivíduos, Moussa Oukabir, Mohamed Hychami, Omar Hychami, Said Aalla e Hussain Abouyaaqoub, se lançam no calçadão de Cambrils em um Audi A3.

O veículo fica frente a frente com uma patrulha policial e dá meia volta. Os cinco saem do Audi, vestindo falsos cinturões de explosivos, com facas e um machado. Matam uma mulher. Os cinco agressores são executados.

A Polícia detém Mohamed Aalla em Ripoll.

- Sábado, 19 de agosto -

O grupo Estado Islâmico reivindica o ataque em Cambrils.

- Segunda-feira, 21 de agosto -

17H00 (12H00)

Uma patrulha rural encontra Younes Abouyaaqoub escondido entre os vinhedos, que grita "Alá é grande" e abre o casaco mostrando um cinturão de explosivos, que acaba sendo falso. A polícia o abate a tiros.

- Terça-feira, 22 de agosto -

Os quatro detidos são apresentados à Audiência Nacional em Madri, jurisdição especializada em terrorismo.

Chemlal e Driss Oukabir são condenados por "assassinato terrorista" e presos.

Mohamed Aalla, dono do Audi, fica em liberdade provisória depois de alegar que o carro estava em seu nome, mas que na realidade era seu irmão Said, morto em Cambrils, quem o usava.

O juiz concede mais três dias para determinar o destino do quarto detido, Salh El Karib, gerente de call center em Ripoll.

Documentos judiciais revelam que entre os escombros da casa de Alcanar a polícia encontrou um papel escrito em árabe, dentro de um livro verde, que diz: "Breve carta dos Soldados do Estado Islâmico na terra de Al-Andalus para os mestiços, os odiosos, os pecadores, os injustos, os corruptores".

Al-Andalus (Andaluz) é o nome dos territórios espanhóis sob domínio muçulmano até 1492.

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AFP