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Será o fim dos escritórios? Bairros de negócios de NY enfrentam futuro incerto

Poucos pedestres em uma área geralmente lotada de Midtown Manhattan na hora do almoço, em 25 de janeiro de 2021, em Nova York afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. janeiro 2021 - 15:15
(AFP)

Lojas com as fachadas cobertas, restaurantes fechados e hotéis vazios: a covid-19 transformou o agitado bairro de escritórios do centro de Nova York em uma cidade fantasma, enquanto empresas e autoridades tentam estimular os trabalhadores a voltarem, quando a pandemia chegar ao fim.

"Se não voltarem, nós afundaremos", disse Kenneth McClure, vice-presidente da Hospitality Holdings, cujo bistrô em Midtown antes da pandemia lotava de banqueiros e investidores.

O grupo fechou seus seis restaurantes e bares em Manhattan, dois deles permanentemente, em função das medidas impostas para conter o avanço do coronavírus que paralisou a cultura do escritório, tão intrínseca à vida da Big Apple como um espetáculo na Broadway, um táxi amarelo, ou uma fatia de pizza.

"Os clientes que você atendia três, quatro, cinco vezes por semana praticamente desapareceram", comentou McClure à AFP, lembrando-se de março do ano passado, quando a pandemia atingiu Nova York.

Desde então, mais de 26.000 pessoas morreram em decorrência do vírus na cidade.

Segundo dados coletados pela empresa de segurança Kastle Systems, apenas 14% dos mais de um milhão de trabalhadores em Nova York retornaram ao escritório em meados de janeiro, um golpe para as lojas que vendem sanduíches e saladas, e para os pequenos negócios que dependem dos pedestres.

Com o início das vacinações, empresas e líderes empresariais procuram maneiras de atrair funcionários de volta à área depois de quase um ano trabalhando de casa, para que o bairro não perca sua personalidade.

Cerca de 79% dos funcionários entrevistados em um estudo da PricewaterhouseCoopers este mês disseram que trabalhar em home office era um sucesso, mas o relatório também conclui que os escritórios não ficarão para trás.

Dos funcionários entrevistados, 87% estimaram que o escritório era importante para o trabalho em equipe e relacionamentos, aspectos da vida profissional que são mais fáceis e mais recompensadores pessoalmente do que via Zoom.

"Estar aqui, ver meus colegas e sair de casa muda meu humor", disse à AFP Jessica Lappin de seu escritório na Alliance for Downtown New York, da qual ela é presidente.

Mas poucos trabalhadores planejam ir ao escritório de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

"A grande maioria dos funcionários disse que prefere um sistema híbrido de dois a três dias trabalhando em casa, e dois a três, no escritório", explicou Deniz Cagla, coautor do relatório da PwC.

Os especialistas afirmam que as empresas devem transformar os escritórios para que não sejam mais apenas locais para onde os funcionários enviam e-mails e fazem ligações, coisas que podem fazer de casa, mas sim locais mais atrativos, com espaços de formação, de convívio e de incentivo à comunicação.

- Futuro -

Isso pode exigir salas de conferência maiores e mais flexíveis, em vez de cubículos, uma decoração melhor, espaço externo como uma varanda, ou terraço, e espaços compartilhados.

"Pense nisso como um teatro, onde existem diferentes cenários para diferentes cenas", comentou David Smith, coautor de um relatório da Cushman & Wakefield sobre os escritórios do futuro, em conversa com a AFP.

Isso também pode se traduzir em escritórios polivalentes, com instalações como academia, refeitório, lavanderia e serviços de portaria que façam os funcionários sentirem que vale a pena ir ao escritório, acelerando uma tendência já iniciada antes do coronavírus, segundo especialistas.

Ao mesmo tempo em que oferece flexibilidade à equipe, vários grandes empregadores estão reduzindo seu compromisso com os escritórios, apostando pesadamente nos distritos comerciais de Nova York, apesar da incerteza causada pela pandemia.

Em agosto, o Facebook assinou um contrato de aluguel para um espaço de 67.800 m2 em Midtown, enquanto um porta-voz do Google disse à AFP que a gigante da tecnologia continua expandindo seu campus ao longo do rio Hudson.

Greenberg Traurig, um escritório de advocacia que emprega 400 pessoas em Nova York, planeja seguir em frente com seus planos de se mudar para um novo escritório perto da estação ferroviária Grand Central este ano, segundo seu vice-presidente, Robert Ivanhoe, à AFP.

A empresa instalou divisórias transparentes, torneiras que são acionadas por sensores, máquinas com desinfetante, mais ventilação e postos de trabalho distanciados, e os funcionários chegam ao escritório em turnos, nem todos no mesmo dia.

Os líderes empresariais também estão procurando maneiras de adicionar mais espaço verde aos bairros de negócios. Espera-se que a nova tendência de jantar fora em restaurantes com terraço se torne permanente após o boom do verão passado.

"Definitivamente, há uma oportunidade para todos no novo futuro", disse o presidente do grupo de melhoria de negócios Grand Central Partnership, Alfred Cerullo, à AFP.

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