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Milhares de pessoas se manifestaram no norte do Marrocos pela sexta noite consecutiva exigindo a libertação do líder do movimento popular da região de Rif

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Milhares de pessoas se manifestaram no norte do Marrocos pela sexta noite consecutiva exigindo a libertação do líder do movimento popular da região de Rif.

Rif tem vivido uma inquietação desde outubro pela morte do peixeiro Mouhcine Fikri, de 31 anos, que foi esmagado por um caminhão de lixo enquanto se manifestava contra a pesca do peixe-espada fora de temporada.

Os primeiros protestos no porto de Al-Hoceima levaram a um movimento maior que exigia mais progresso e mobilização contra a corrupção, a repressão e o desemprego.

Nasser Zefzafi, que surgiu como o líder do grupo Al-Hirak al-Shaabi, ou "Movimento Popular", foi preso na segunda-feira, após três dias de protestos.

Na última quarta-feira, entre 2.000 e 3.000 pessoas protestaram mais uma vez nas ruas de Al-Hoceima, com frases como "Somos todos Nasser Zefzafi" e "Estado corrupto".

"Prendam-nos, somos todos ativistas", lia-se em um cartaz.

Embora menos manifestantes tenham comparecido na noite anterior, o protesto parecia mais organizado.

A região étnica de Berber Rif tem uma tensa relação com as autoridades da parte central do Marrocos, e foi o coração dos protestos de 2011 inspirados na Primavera Árabe.

Cilia Hirani, membro do Movimento Popular, contou à AFP que todos em Rif "acreditam na liberdade, na humanidade e na justiça social".

"Se prenderem os nossos líderes, iremos resistir e resistiremos até que as nossas exigências, que são direitos nos países democráticos, sejam garantidas", afirmou.

Najib Ahamjik, o número dois do movimento, está em liberdade, mas continua usando as redes sociais para chamar o povo para as "mobilizações".

- "Mantenham a paz" -

A polícia anti-distúrbios estava presente no protesto de quarta-feira, após os confrontos no fim de semana entre os manifestantes e as forças de segurança, mas a multidão foi dispersada perto da meia-noite sem incidentes.

Zefzafi foi preso com mais duas pessoas na segunda-feira por "atacar a segurança interna", após um mandato de prisão contra ele emitido na sexta-feira ter provocado confusão em Al-Hoceima.

Um novo vídeo de Zefzafi foi postado nas redes sociais, aparentemente gravado antes de sua prisão, em que diz: "meus irmãos, o momento é muito delicado... acima de tudo, mantenham a paz".

A mídia estatal e os políticos recordaram a pouca divulgação dos eventos, mas os setores locais dos três partidos emitiram uma declaração conjunta alertando sobre a "séria situação" e criticando a resposta das autoridades.

Cerca de 40 pessoas relataram ter sido presas na sexta-feira, incluindo membros importantes do Al-Hirak. Vinte e cinco foram processadas.

O julgamento começou na terça-feira, mas foi adiado para 6 de junho a pedido dos advogados, que reclamaram do tratamento dado a seus clientes durante a prisão.

Sete suspeitos foram libertados sob fiança e outros sete foram liberados sem acusação.

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