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Trabalhadores argentinos marcham às vésperas de uma greve no país, em Buenos Aires, no dia 8 de junho de 2015

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Uma greve de motoristas, trens, caminhões, aviões, barcos e metrô, apoiada por sindicatos da oposição, vai parar a Argentina nesta terça-feira, em um protesto pedindo melhorias salariais a cinco meses das eleições gerais de 25 de outubro.

A paralisação será a quinta desde que Cristina Kirchner assumiu a presidência, em 2007, e a segunda em dois meses para rechaçar o estabelecimento de tetos para os aumentos de salários acertados pelos sindicatos com as empresas.

Kirchner (62 anos), que não poderá disputar um terceiro mandato, estabeleceu como limite 27% ao reajuste anual, exceto em setores que registram alta rentabilidade, como bancos e exportações de óleos.

"Não fomos ouvidos pela presidente, assim a greve vai acontecer", disse à rádio Mitre Roberto Fernández, líder del poderoso sindicato de motoristas de ônibus.

Na Argentina há cinco centrais operárias, mas a maioria dos sete milhões de trabalhadores sindicalizados (outros quatro milhões não são registrados legalmente) se reúnem na chamada Confederação Geral do Trabalho (CGT) Balcarce, vinculada ao governo.

No entanto, a paralisação dos sindicatos de oposição vai parar quase toda a atividade industrial e de serviços com a suspensão dos transportes, como ocorreu na greve de 31 de março passado.

"A greve é mais política do que outra coisa. Não sei o que vão conseguir com uma medida de força", disse em coletiva de imprensa o chefe de gabinete, Aníbal Fernández.

Outra reivindicação do movimento sindical é a eliminação ou a redução ao mínimo do imposto sobre os lucros, que onera os salários.

O tributo é pago por 1,1 milhão de trabalhadores, segundo o governo, ou quase dois milhões, segundo os grevistas.

Partidos da oposição prometeram em sua campanha eleitoral que vão eliminar o encargo.

O governo respondeu que em quase todos os países os salários pagam tributos que servem para financiar obras públicas, residências populares ou o seguro social.

O sindicato operário opositor CGT Azopardo, liderado pelo sindicalista caminhoneiro Hugo Moyano, respondeu em Buenos Aires que as estatísticas feitas por sua central sindical estimam a pobreza em 27,8%.

Outra frente de discussão foi aberta na segunda-feira depois que o governo denunciou uma sabotagem política, após a colisão no domingo de um trem de passageiros com uma locomotiva que fazia manobras, um incidente que deixou 40 feridos graves.

O incidente ocorreu na estação ferroviária Temperley, que pertence à reestatizada linha Roca, cujos serviços ligam a capital à periferia sul.

A colisão ocorreu algumas horas antes de uma cerimônia prevista na mesma estação, onde o ministro do Interior e dos Transportes, pré-candidato à Presidência pelo kirchnerismo, apresentava dezenas de vagões novos adquiridos à China.

"Não tenho nenhuma dúvida", respondeu Randazzo quando perguntado se a colisão de trens se devia a um ato de sabotagem.

AFP