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Singapura, Maiorca e Alpes: o itinerário surpreendente de um vírus

Os países e territórios com casos confirmados de infecção pelo 2019-nCoV afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. fevereiro 2020 - 17:13
(AFP)

Este é o cenário que todos os epidemiologistas temiam. Sem nunca ter ido à China, um britânico infectado pelo novo coronavírus em Singapura o transmitiu a compatriotas durante uma estada nos Alpes franceses, antes de ser diagnosticado, em seu retorno ao Reino Unido.

Batizado de "Super-spreader" ("Superpropagador") pelos tabloides britânicos, este homem, que não teve sua identidade divulgada, contaminou 11 pessoas - entre elas um garoto de nove anos -, acidentalmente, em suas férias na França.

Uma das pessoas contaminadas, um britânico, voltou para Maiorca, onde mora, antes de ser diagnosticado. As demais se encontram hospitalizadas entre França e Reino Unido.

O alerta foi emitido pela ministra francesa da Saúde. No sábado, Agnès Buzyn anunciou que cinco britânicos haviam dado positivo para o 2019-nCoV em uma pequena estação de esqui, aos pés do Mont Blanc, Les Contamines-Montjoie.

Trata-se de um "cluster", ou seja, um grupo de vários casos em torno de um "caso inicial", explicou a ministra.

O paciente "zero" foi identificado rapidamente pelas autoridades sanitárias. É um britânico na faixa dos 40, que participou de 20 a 22 de janeiro de um seminário empresarial com cerca de 100 pessoas procedentes de todas as partes do mundo. Havia pelo menos um chinês, da região de Hubei, epicentro da epidemia que deixou 910 mortos.

Antes de voltar para seu país, passou alguns dias - de 24 a 28 de janeiro - em uma pequena estação de esqui nos Alpes franceses.

Pouco depois de regressar para a Inglaterra, os sintomas começaram a aparecer, como febre alta. Foi ao hospital de Brighton e, lá, recebeu o diagnóstico do novo vírus.

No dia 6, foi transferido para o Hospital St. Thomas de Londres, que tem uma unidade especializada em doenças infecciosas.

- Descartar 'psicose' -

Ao procurar uma unidade de saúde, o homem que vive em Maiorca recebeu o mesmo diagnóstico.

"A exposição aconteceu entre 25 e 29 de janeiro", relatou o chefe do departamento de Clínica Médica do Hospital de Palma, Javier Murillas.

O homem, de 46 anos, segundo a imprensa, "está agora em boa condição de saúde, praticamente não tem qualquer sintomatologia", informou o diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências do Ministério da Saúde, Fernando Simón.

Sua mulher e suas duas filhas de 10 e 7 anos também foram hospitalizadas preventivamente em um hospital em Palma de Mallorca, mas os exames descartaram que estivessem infectadas.

As autoridades sanitárias de Paris a Londres estão fazendo uma ampla investigação para ver se outras pessoas foram infectadas.

"Agora começa uma operação importante" para encontrar e informar as pessoas que tiveram contato estreito com o cidadão britânico na origem destes novos casos, disse a ministra Buzyn.

Na estação de esqui Les Contamines, onde se pretende descartar qualquer "psicose" no início das férias escolares, foram fechadas, temporariamente, três instituições por onde o garoto doente passou e mais de 100 pessoas foram examinadas. Os primeiros resultados são todos negativos.

Também estão sendo feitas investigações entre os passageiros do voo Genebra-Londres que levou, em 28 de janeiro, o viajante infectado proveniente de Singapura.

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