Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 7 de abril de 2016

(afp_tickers)

A presidente Dilma Rousseff (PT) convocou nesta quinta-feira um "grande pacto" para superar a crise que paralisa o Brasil, um dia após a abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

"O Brasil já superou momentos difíceis fazendo pactos, mas nenhum entendimento prosperará se não tiver como premissa o respeito à legalidade e à democracia. E a primeira premissa deve ser a defesa da vontade popular manifestada pelo voto", disse Dilma em um ato no Palácio do Planalto.

Dilma, 68 anos, é acusada de maquiar contas públicas para reduzir o impacto da crise econômica no ano de sua reeleição, as chamadas "pedaladas fiscais".

A chapa de Dilma, formada com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), também enfrenta um processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por financiamento ilegal de campanha com dinheiro desviado de estatais, especialmente a Petrobras.

Na quarta-feira, a Folha de São Paulo revelou que Otávio Marques Azevedo, ex-diretor-executivo da construtora Andrade Gutierrez, confirmou as suspeitas de doação ilegal à campanha de reeleição de Dilma, em 2014.

Segundo Azevedo, milhões de dólares doados legalmente à campanha de Dilma tiveram origem em subornos pagos pela construtora para obter contratos com a Petrobras.

Os advogados do PT negam as acusações.

Por meio do impeachment ou do TSE, o PT vê ameaçada sua hegemonia de 13 anos no poder, iniciada com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, hoje investigado por ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, entre outros crimes.

Lula, que espera uma decisão do Supremo para assumir a chefia da Casa Civil após uma série de ações contra sua nomeação, apontada como uma manobra para evitar sua prisão, lidera os esforços do governo para barrar o impeachment, negociando votos, especialmente com os pequenos partidos.

Nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou ao Supremo a anulação da nomeação de Lula, por considerar que se tratou de uma manobra para livrá-lo da justiça comum.

Janot informou aos ministros do Supremo que "há elementos suficientes para afirmar que houve desvio de função no decreto presidencial" que nomeou Lula para a chefia da Casa Civil.

Dilma busca apoio para superar o impeachment, enquanto reforça o discurso de que seu impedimento constituiria um "golpe de Estado".

Uma comissão parlamentar de 65 membros decidirá na próxima segunda-feira se aceita a recomendação do relator, favorável ao impeachment. Em seguida, o plenário da Câmara dos Deputados votará o relatório, que se for aprovado por dois terços da casa passará ao Senado, que poderá decidir pelo afastamento de Dilma por 180 dias por maioria simples.

No Senado, o impeachment de Dilma também exigirá dois terços dos votos.

"Seja qual for o resultado do impeachment, no dia seguinte será preciso construir novas pontes", disse à AFP o deputado Leonardo Piciani, que já se manifestou contra a destituição da presidente, apesar de ser o líder da bancada do PMDB, que decidiu pelo rompimento com o governo.

"Se a presidenta sobreviver ou não, será preciso repactuar a forma de governar, buscar convergências para sair da crise e não será possível, em qualquer hipótese, continuar apostando no 'quanto pior, melhor'".

Para o cientista político Everaldo Morales, da Universidade de Brasília, a proposta de Dilma para um grande pacto chega tarde demais.

"Acredito que o momento tanto de pactos como de buscar apoios já passou. É muito difícil deter uma avalanche quando ela já avança", declarou Morales à AFP.

AFP