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Membros da equipe New Horizon observando novas imagens obtidas pelo projeto, em Maryland, no dia 15 de julho de 2015

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Plutão tem cordilheiras geladas em sua superfície. Essa é uma das primeiras revelações das fotografias de alta definição enviadas pela sonda New Horizons da Nasa nesta quarta-feira, após a sua passagem histórica pelo planeta gelado.

As montanhas têm uma altitude de 3.400 metros, segundo explicou a agência espacial dos Estados Unidos. Isto é, quase a mesma altitude na cidade boliviana de La Paz.

Os cientistas também ficaram surpresos ao verem de perto uma região de Plutão que não mostra sinais de ter sido atingido por meteoros, apesar do planeta anão estar situado no caótico do Cinturão de Kuiper - uma região depois de Netuno cheia de resíduos cósmicos que constantemente assolam Plutão e suas cinco luas.

A Nasa também informou que as descobertas feitas graças à New Horizons mostram que Plutão é geologicamente ativo e contém áreas que -- em termos astronômicos -- são bastante jovens: talvez menos de 100 milhões de anos. Esta é apenas uma fração da idade do Sistema Solar, que nasceu há 4,5 bilhões de anos.

"Pode estar ativo neste momento", disse John Spencer, um dos cientistas do projeto.

A primeira vez que os cientistas viram um fenômeno geologicamente ativo foi Triton, a lua de Netuno examinada pela Voyager 2 nos anos 1980 e que praticamente não apresentava impacto de meteoritos.

"Agora que nós estabelecemos que estes pequenos planetas podem permanecer muito ativos depois de um longo tempo, eu acho que muitos geofísicos começarão do zero para tentar entender exatamente como isso é possível", explicou o investigador principal da missão, Alan Stern.

"A base que forma estas montanhas deve ser feita de H2O, de água-gelo", disse Stern.

Existem muitos outros tipos de gelo sobre a superfície de Plutão, mas são formados a partir de nitrogênio, metano e monóxido de carbono. E "não é possível fazer montanhas a partir disso. Seria muito fraco", explicou Spencer a jornalistas em coletiva de imprensa.

- Sobrevoo histórico -

A sonda não tripulada New Horizons passou a maior parte de terça-feira tirando fotografias e recolhendo dados de Plutão, quando passou apenas a 12,430 quilômetros da superfície após uma viagem de nove anos e 5 bilhões de quilômetros.

Estas imagens, que incluem dados coloridos do planeta anão e algumas de suas cinco luas, têm dez vezes mais detalhes do que se tinha até agora.

Outras imagens reveladas na quarta-feira mostraram que Caronte, a maior lua de Plutão, tem seu próprio cinto de vales e montanhas que se estende ao longo de 960 quilômetros acima da superfície.

"Ficamos alucinados quando recebemos a imagem de Caronte hoje", contou Cathy Olkin, pesquisadora-adjunta do projeto. "É um pequeno mundo cheio de gargantas profundas, depressões, falésias e áreas escuras que ainda são um pouco misteriosas para nós".

É a primeira vez, desde a missão Voyager 2 da Nasa que tocou Netuno em 1989, que uma nave visita um sistema planetário.

E Plutão, que foi considerado durante muito tempo o planeta mais distante do sol até ser reclassificado como planeta anão em 2006, nunca havia sido explorado.

Anteriormente, as fotos tiradas pela sonda revelaram que o planeta anão tem uma superfície cheia de curiosidades: de uma imagem escura em forma de baleia até uma silhueta clara e brilhante que se parece com um coração.

"Mas ainda não sabemos exatamente o que é esta forma de coração", afirmou Olkin.

As imagens divulgadas nesta quarta-feira têm uma resolução de cerca de 100 metros por pixel.

De acordo com John Grunsfeld, administrador adjunto da missão científica da Nasa, conhecer detalhes sobre Plutão tem captado a atenção do público porque revela notícias sobre a origem da Terra e gera mais perguntas, como, por exemplo, se a vida extraterrestre é possível.

AFP