A Parker Solar Probe, sonda espacial da Nasa, que sobreviveu ao seu encontro mais próximo até agora com o Sol, enviou de volta uma "coleção valiosa" de dados sobre sua coroa, a borda externa super quente de sua atmosfera, disseram cientistas nesta quarta-feira (4).

A sonda, lançada em agosto do ano passado, ficará a cerca de seis milhões de quilômetros da superfície do Sol durante uma série de sobrevoos em outras distâncias e trajetórias ao longo de sete anos.

Espera-se que isso permita uma melhor compreensão do vento solar e das tempestades eletromagnéticas que podem causar caos na Terra ao derrubar a rede elétrica.

Um quebra-cabeça diz respeito à própria coroa, que a um milhão de graus é muitas vezes mais quente que a superfície do sol, a 6.000°C, quando seria de se esperar que fosse mais fria uma vez que fica a uma maior distância da fonte de calor.

"Então a coroa encontra uma maneira de esquentar. Estamos analisando os processos físicos que permitem que isso aconteça", disse Alexis Rouillard, do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) e coautor de um dos quatro relatórios sobre as descobertas iniciais sobre a sonda, publicados na revista Nature.

"Mesmo com apenas essas primeiras órbitas, ficamos chocados com o quão diferente a coroa é quando observada de perto", disse Justin Kasper, professor de ciências climáticas e espaciais e engenharia da Universidade de Michigan.

Um resumo da Universidade de Michigan observou que se pensava que as oscilações no campo magnético do Sol poderiam ter causado o aquecimento da coroa e que estavam esperando obter dados para confirmar isso.

Em vez disso, eles relataram ondas magnéticas muito mais poderosas, fortes o suficiente para mudar completamente a direção do campo magnético, que pode ser a fonte de energia da coroa.

Os cientistas também ficaram surpresos com o que descobriram sobre a aceleração do vento solar, o fluxo externo de prótons, elétrons e outras partículas que emanam do Sol.

Sabia-se que mais perto, o campo magnético do Sol puxa esse vento na mesma direção que sua rotação, então a equipe esperava que esse efeito enfraquecesse ainda mais.

"Para nossa grande surpresa, conforme nos aproximávamos do Sol, já havíamos detectado grandes fluxos rotacionais - 10 a 20 vezes maiores do que os modelos padrão do Sol previstos", disse Kasper.

"Então, estamos perdendo algo fundamental sobre o Sol e como o vento solar escapa. Isso tem implicações enormes. A previsão do tempo no espaço precisará levar em conta esses fluxos se quisermos ser capazes de prever se uma ejeção de massa coronal atingirá a Terra ou se os astronautas indo para a Lua ou Marte", acrescentou.

Nicky Fox, cientista do projeto da sonda da NASA, disse a repórteres que o fato de a humanidade ter lançado uma espaçonave na atmosfera de uma estrela era em si uma realização impressionante.

"O fato de que é nossa estrela mais próxima e tem um efeito profundo sobre nós aqui na Terra é ainda melhor, mas esperamos décadas e décadas para entender esses mistérios".

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