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Solução para perda de habitat dos coalas está em seus excrementos

Pesquisadores da Austrália descobriram uma forma de salvar os coalas, vulneráveis à perda de seu habitat, especialmente por seus estritos hábitos alimentares, com a ingestão de seus próprios excrementos. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. agosto 2019 - 03:29
(AFP)

Pesquisadores da Austrália descobriram uma forma de salvar os coalas, vulneráveis à perda de seu habitat, especialmente por seus estritos hábitos alimentares, com a ingestão de seus próprios excrementos.

Uma equipe de especialistas utilizou comprimidos fecais ingeridos por via oral para alterar os micro-organismos do intestino destes marsupiais, o que lhes permitiu comer uma gama mais ampla de eucaliptos.

O trabalho foi descrito em um artigo publicado nesta terça-feira na revista Animal Microbiome.

Michaela Blyton, da Faculdade de Química e Biociências Moleculares da Universidade de Queensland, principal autora do estudo, a ideia surgiu após uma devastadora queda da população de coalas em Cape Otway, Victoria.

"Em 2013, a população de coalas atingiu densidades muito altas, o que os levou a desfolhar sua principal fonte de alimento", o eucalipto viminalis, disse Blyton.

Em seguida, 70% da população de coalas morreu de inanição, sem se alimentar de outras espécies de eucalipto menos apetitosas, apesar de isto ser possível.

"Isto levou a mim e a meu colega, o doutor Ben Moore, da Universidade Western Sydney, a nos perguntar se os micro-organismos presentes nos intestinos dos coalas estavam limitando as espécies comestíveis, e se poderíamos obter uma ampliação de sua dieta com inoculações fecais".

A equipe capturou coalas selvagens que se alimentavam exclusivamente do eucalipto viminalis e os fizeram ingerir capsulas de excrementos de coalas que comiam outros tipos de eucalipto.

As cápsulas alteraram os biomas dos coalas e permitiram ampliar sua dieta.

"Os coalas naturalmente podem ter problemas para se adaptar a novas dietas quando as árvores com as quais se alimentam estão esgotadas ou após sua mudança de habitat", disse Blyton.

"Este estudo é uma demonstração conceitual para o uso do material fecal em cápsulas para introduzir e estabelecer, com sucesso, novos micróbios nos intestinos dos coalas".

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