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Pedestre caminha próximo a cartazes dos candidatos à presidência da França no segundo turno, Emmanuel Macron e Marine Le Pen, em Paris, em 28 de abril de 2017

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A Segunda Guerra Mundial ocupou nesta sexta-feira o centro do duelo presidencial na França, quando o partido de Marine Le Pen teve que destituir seu presidente interino, acusado de declarações negacionistas, enquanto Emmanuel Macron viajava a um povoado marcado por um massacre nazista.

Ao mesmo tempo, Le Pen não recuou em sua ofensiva para ampliar sua base eleitoral. Em um vídeo dirigido aos partidários da esquerda radical, a candidata de extrema direita pediu seu apoio "para impedir a chegada" de seu rival centrista.

"Me dirijo aos eleitores da França Insubmissa para dizê-los que agora devemos impedir a chegada de Emmanuel Macron", assinalou a política, que segundo as pesquisas irá perder no segundo turno, em 7 de maio.

O líder da França Insubmissa, o esquerdista Jean-Luc Mélenchon, que obteve um resultado histórico, ficando à frente do candidato socialista, respondeu em outro vídeo.

"Todo mundo sabe" que não votarei "na Frente Nacional", disse Mélenchon. Mas se negou a dar um sinal de voto para seus partidários. "Meu papel é ajudar a permanecermos unidos", declarou.

Ao contrário, o soberanista Nicolas Dupont-Aignan (4,70% dos votos no primeiro turno) deu seu apoio a Marine Le Pen, negando que a candidata seja "de ultradireita".

- Demissão e substituição -

Jean-François Jalkh, que foi nomeado na segunda-feira presidente interino da Frente Nacional (FN) depois de Marine Le Pen afastar-se temporariamente da presidência do partido para o segundo turno da campanha eleitoral, foi substituído nesta sexta-feira pelo eurodeputado Steeve Briois.

"Hoje é Briois que assume. O assunto está encerrado", declarou nesta sexta-feira o vice-presidente do partido, Louis Aliot, após a revolta provocada pela nomeação de Jalkh.

Em declarações publicadas em 2005 em uma revista universitária, o militante de extrema direita de 59 anos evocou a "seriedade e o rigor" do argumento dos trabalhos do universitário negacionista Robert Faurisson, condenado diversas vezes por ter negado a realidade do Holocausto judeu durante a Segunda Guerra Mundial.

"Nós condenamos tais declarações e ele as nega", disse Aliot.

Desde que assumiu as rédeas do FN, Le Pen tem se esforçado para polir a imagem polêmica da formação, por muito tempo alimentada por palavras antissemitas e revisionistas de seu pai, Jean-Marie Le Pen.

Questões históricas já ocuparam o debate político durante esta campanha, principalmente quando Marine Le Pen afirmou no início de abril que a França "não era responsável" pela chamada "rafle du Vel’ d'Hiv'" (ataque ao velódromo de inverno), que levou à deportação de judeus sob as ordens do governo francês em julho de 1942.

Uma página inteira, publicada nesta sexta-feira pela Associação de Filhos e Filhas dos Judeus Deportados da França no jornal Libération, recorda o passado para alertar sobre o futuro e intitulado "FN em 2017? Não, jamais. Contra Le Pen, vote Macron".

O centrista Emmanuel Macron visitou nesta sexta-feira à tarde Oradour-sur-Glane, pequena localidade do centro da França onde uma unidade da Waffen SS massacrou 642 habitantes em 10 de junho de 1944.

"Decidir não se lembrar é correr o risco de repetir a História", afirmou Macron.

Em Oradour-sur-Glane "vi um trecho das páginas mais obscuras da História da França", mas também "o renascimento da França", acrescentou.

A chanceler alemã Angela Merkel indicou em uma entrevista a jornais alemães que desejava que o candidato centrista fosse eleito e que não tinha a menor dúvida de que seria um "presidente forte", caso vença.

O treinador do Real Madrid e ícone do futebol francês, Zinedine Zidane, também convidou a votar contra a FN.

"Estou longe de todas essas ideias, dessa Frente Nacional. Assim, temos que evitar isso ao máximo. Os extremos nunca foram bons", declarou. A essa afirmação, Marine Le Pen respondeu: "com o que ganha, entendo que você vote em Macron".

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