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(12 jul) Imagem de Plutão registrada pela New Horizons a uma distância de 2,5 milhões de quilômetros

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A sonda New Horizons conseguiu se aproximar de Plutão e coletar dados que permitirão conhecer mais sobre esse astro - informou a Agência Espacial Americana (Nasa), na noite desta terça-feira, após receber o esperado sinal da aeronave.

Passando a apenas 12.400 km de Plutão, após uma viagem de nove anos e 5 bilhões de quilômetros, a sonda enviou uma mensagem, por meio da qual confirmou ter conseguido se aproximar sem problemas do astro. Com medo de eventuais falhas, os técnicos da Nasa receberam com alívio a notificação, às 20h55 (21hH55 em Brasília).

"Recebemos bem a telemetria enviada pela sonda", disse no centro de comando de Laurel (Maryland, este) Alice Bowman, chefe do projeto, provocando uma explosão de alegria entre os colegas.

Alan Stern, principal investigador da New Horizons, disse que "é hora de celebrar porque já fizemos a maior parte do caminho".

"Completado o reconhecimento inicial do Sistema Solar, um empreendimento que começou com o presidente (John F.) Kennedy há mais de 50 anos e prossegue hoje sob o mandato do presidente (Barack) Obama".

No Twitter, Obama saudou o sucesso da missão: "felicitações a @NASANewHorizons por ter realizado uma viagem de 3 bilhões de milhas".

A uma velocidade de mais de 49.300 km/h, a maior já atingida por uma nave espacial, New Horizons passou a apenas 12.430 km de Plutão, mais próximo que o previsto, às 11H48 GMT, segundo a Nasa.

Durante algumas horas a sonda obteve o máximo de imagens e informações sobre Plutão, um planeta-anão sobre o qual pouco se sabe.

A sonda, que está configurada para se concentrar na coleta de dados, alterou sua rotina às 20H30 GMT (17H30 Brasília) para enviar 15 minutos de dados telemétricos, e foram necessárias mais de quatro horas para que estes dados chegassem aos técnicos da Nasa na Terra.

Os dados recebidos revelaram que a sonda está em perfeito estado e que realizou normalmente a coleta de informações.

A partir de quarta-feira, a sonda começará a enviar informações que permitirão responder a numerosas perguntas sobre Plutão, mas a transmissão total dos dados exigirá 16 meses.

New Horizons se dirige agora para observar o Cinturão de Kuiper, um amplo anel de fragmentos em torno do Sistema Solar.

A sonda dispõe de sete instrumentos de medição de alta performance para escanear a superfície de Plutão, analisar a composição de sua atmosfera, sua geologia, apurar a temperatura de sua superfície e fotografá-la".

Por enquanto, a missão pioneira da Nasa conseguiu confirmar a existência de uma camada de gelo polar em Plutão e descobriu nitrogênio escapando de sua atmosfera.

"E nós também descobrimos que Plutão é um pouco maior do que pensávamos: o planeta tem um raio de 1.185 quilômetros, mais ou menos 10 quilômetros", explicou Stern.

"Em 24 horas, a qualidade da resolução de nossas imagens vai passar de 15 quilômetros por pixel, para menos de 100 metros por pixel", afirmou Cathy Olkin, pesquisadora-adjunta do projeto. "Veremos quão altas são as montanhas e quão baixos são os vales".

Em seguida, os cientistas verão o nascer e o pôr do sol na parte traseira -inexplorada- de Plutão; irão criar uma imagem completa da estrela e cinco satélites; e farão um estudo sobre a poeira do Sistema Solar exterior e da atmosfera em torno de Plutão e sua maior lua, Caronte.

De acordo com John Grunsfeld, administrador adjunto da missão científica da Nasa, conhecer detalhes sobre Plutão tem captado a atenção do público porque revela notícias sobre a origem da Terra e gera mais perguntas, como, por exemplo, se a vida extraterrestre é possível.

"O sistema de Plutão é um fóssil dos primórdios do sistema solar", disse Grunsfeld. "Agora sabemos de onde viemos (...) Isto abre um novo campo na exploração".

AFP